Skip to content

Pesquisa em Ação

🔬 Pesquisa em Ação

Bresnahan, Timothy F.; Reiss, Peter C. (1991). Entry and Competition in Concentrated Markets. Journal of Political Economy, 99(5), 977–1009.

Pergunta central: Quantas firmas são necessárias para que um mercado se torne efetivamente competitivo?

Método: Modelo econométrico de entrada em mercados locais geograficamente isolados nos EUA (cidades pequenas com 1 a 5 firmas), usando dados de cinco setores — médicos, dentistas, farmácias, encanadores e lojas de pneus. A ideia-chave: se o mercado precisa ser proporcionalmente maior para sustentar 3 firmas do que para 2, é porque a terceira firma reduz as margens.

Resultado: A transição de monopólio para duopólio e de duopólio para triopólio gera reduções significativas nas margens. A partir de 3 a 5 firmas, o tamanho por firma se estabiliza — a maior parte dos ganhos competitivos ocorre com as primeiras entrantes.

Relevância: Para o Brasil, os resultados têm implicações diretas para análise do CADE em atos de concentração. A metodologia é aplicável a mercados de combustíveis, farmácias e serviços de saúde no interior. O artigo testa empiricamente as previsões de Cournot e Bertrand (Seção 9a.5).

Adams, Christopher P. (2025). Game Theory for Applied Econometricians: Data Analytics with R. Boca Raton: CRC Press. Capítulos 1–5.

Escopo: Parte I do livro cobre jogos estáticos com informação completa — a matéria deste módulo — com ênfase em aplicações empíricas e análise de dados em R.

Contribuição pedagógica: Adams conecta cada conceito teórico a um dataset e um script R. O Capítulo 1 analisa o game show Friend or Foe (Dilema dos Prisioneiros com dinheiro real); o Capítulo 2 estuda entrada de firmas no mercado de pneus; o Capítulo 3 modela competição de hambúrgueres; o Capítulo 5 testa estratégias mistas com dados de pênaltis.

Relevância: Os R Boxes interativos deste módulo (9a.1 e 9a.2) são inspirados nos scripts de Adams, adaptados para execução no navegador via WebR. Os dados do pacote Ecdat permitem que o leitor reproduza e modifique as análises sem instalar nada.

Chiappori, Pierre-André; Levitt, Steven; Groseclose, Tim (2002). Testing Mixed-Strategy Equilibria When Players Are Heterogeneous. American Economic Review, 92(4), 1138–1147.

Pergunta central: Os jogadores de futebol profissional jogam estratégias mistas consistentes com a teoria em cobranças de pênalti?

Método: Dados de 459 pênaltis da Série A italiana e da liga francesa. Cada cobrança é modelada como um jogo 2×2 (cobrador escolhe lado, goleiro escolhe lado). A teoria prevê que as taxas de sucesso devem ser iguais em todos os lados — caso contrário, o cobrador deveria ajustar suas probabilidades.

Resultado: As taxas de sucesso dos cobradores são estatisticamente indistinguíveis entre esquerda e direita, consistente com a teoria de estratégias mistas. Os cobradores não exibem padrões seriais exploráveis.

Relevância: Evidência empírica direta do princípio da indiferença (Seção 9a.4) em um contexto de alto incentivo financeiro.

Kreps, David M.; Scheinkman, José A. (1983). Quantity Precommitment and Bertrand Competition Yield Cournot Outcomes. Bell Journal of Economics, 14(2), 326–337.

Pergunta central: Por que o resultado de Cournot emerge em mercados em que as firmas podem competir em preços?

Método: Modelo de dois estágios: no primeiro estágio, firmas escolhem capacidade produtiva simultaneamente; no segundo, competem em preços à la Bertrand. Capacidade é interpretada como comprometimento de quantidade.

Resultado: O equilíbrio do jogo de dois estágios reproduz exatamente o resultado de Cournot. A intuição é elegante: dada a capacidade instalada no primeiro estágio, a competição em preços no segundo estágio não pode levar ao preço de custo marginal porque as firmas têm capacidade limitada — e isso garante margens positivas idênticas às de Cournot.

Relevância: Este artigo resolve o debate Cournot-Bertrand mostrando que os dois modelos são compatíveis quando se incorpora a decisão de capacidade como etapa anterior à precificação. A distinção entre variável estratégica de curto prazo (preço) e compromisso de longo prazo (capacidade) — discutida na Seção 9a.5 e aprofundada no Módulo 9b — é fundamental para a análise de fusões em setores intensivos em capital.

Bajari, Patrick; Benkard, C. Lanier; Levin, Jonathan (2007). Estimating Dynamic Models of Imperfect Competition. Econometrica, 75(5), 1331–1370.

Pergunta central: Como estimar estruturalmente modelos de oligopólio dinâmico sem impor restrições funcionais rígidas?

Método: Procedimento de estimação em dois estágios (BBL) para jogos dinâmicos de oligopólio. No primeiro estágio, estimam-se as políticas de decisão dos agentes de forma não-paramétrica diretamente dos dados. No segundo, recuperam-se os parâmetros estruturais (custos, payoffs) exigindo que as políticas observadas sejam consistentes com um equilíbrio de Markov perfeito.

Resultado: O método BBL é computacionalmente tratável mesmo para jogos com muitos estados — um avanço em relação aos métodos de programação dinâmica que exigem resolver explicitamente o equilíbrio. Aplicações empíricas cobrem mercados de cimento, companhias aéreas e varejo.

Relevância: A estimação de modelos estruturais de oligopólio é o instrumento de fronteira para análise antitruste quantitativa. O CADE e o DOJ americano utilizam abordagens próximas do BBL para simular os efeitos de fusões. Conecta a Seção 9a.5 (equilíbrio estático de Cournot e Bertrand) com os modelos dinâmicos dos Módulos 9b e 9d.

Camerer, Colin F.; Ho, Teck-Hua (1999). Experience-Weighted Attraction Learning in Normal Form Games. Econometrica, 67(4), 827–874.

Pergunta central: Como agentes reais aprendem a jogar equilíbrios de Nash ao longo de experiências repetidas?

Método: Modelo EWA (Experience-Weighted Attraction) que generaliza aprendizado por reforço e fictitious play em um único framework paramétrico. O modelo é estimado em dados de experimentos laboratoriais com jogos como Batalha dos Sexos, Dilema dos Prisioneiros e Matching Pennies com sujeitos humanos.

Resultado: O modelo EWA se ajusta melhor aos dados do que os modelos concorrentes em 7 dos 8 jogos testados. Em geral, as estratégias dos sujeitos convergem para o equilíbrio de Nash, mas o processo de convergência é lento e heterogêneo entre sujeitos.

Relevância: Fornece evidência empírica sobre a validade descritiva do equilíbrio de Nash como previsão de comportamento. Os resultados sugerem que o equilíbrio é uma boa aproximação para situações com experiência repetida e incentivos elevados — contexto de muitos mercados industriais —, mas pode falhar em interações únicas entre agentes inexperientes. Dialoga diretamente com a discussão sobre fundamentos do equilíbrio de Nash na Seção 9a.3.


📚 Referências do Capítulo

  • Adams, Christopher P. 2025. Game Theory for Applied Econometricians: Data Analytics with R. Boca Raton: CRC Press.
  • Bajari, Patrick, C. Lanier Benkard, e Jonathan Levin. 2007. "Estimating Dynamic Models of Imperfect Competition." Econometrica 75 (5): 1331–1370. DOI
  • Axelrod, Robert. 1984. The Evolution of Cooperation. New York: Basic Books.
  • Bertrand, Joseph. 1883. "Théorie mathématique de la richesse sociale." Journal des Savants 67: 499–508.
  • Camerer, Colin F., e Teck-Hua Ho. 1999. "Experience-Weighted Attraction Learning in Normal Form Games." Econometrica 67 (4): 827–874. DOI
  • Bresnahan, Timothy F., e Peter C. Reiss. 1991. "Entry and Competition in Concentrated Markets." Journal of Political Economy 99 (5): 977–1009. DOI
  • Chiappori, Pierre-André, Steven Levitt, e Tim Groseclose. 2002. "Testing Mixed-Strategy Equilibria When Players Are Heterogeneous." American Economic Review 92 (4): 1138–1147. DOI
  • Cournot, Antoine-Augustin. 1838. Recherches sur les Principes Mathématiques de la Théorie des Richesses. Paris: Hachette.
  • Fudenberg, Drew, e Jean Tirole. 1991. Game Theory. Cambridge, MA: MIT Press.
  • Gibbons, Robert. 1992. Game Theory for Applied Economists. Princeton: Princeton University Press.
  • Kreps, David M., e José A. Scheinkman. 1983. "Quantity Precommitment and Bertrand Competition Yield Cournot Outcomes." Bell Journal of Economics 14 (2): 326–337. DOI
  • Kalist, David E. 2004. "Data from the Television Game Show 'Friend or Foe?'" Journal of Statistics Education 12 (3). DOI
  • List, John A. 2006. "Friend or Foe? A Natural Experiment of the Prisoner's Dilemma." Review of Economics and Statistics 88 (3): 463–471. DOI
  • Mas-Colell, Andreu, Michael D. Whinston, e Jerry R. Green. 1995. Microeconomic Theory. New York: Oxford University Press. Caps. 7–8.
  • Maynard Smith, John, e George R. Price. 1973. "The Logic of Animal Conflict." Nature 246: 15–18. DOI
  • Nash, John F. 1950. "Equilibrium Points in N-Person Games." Proceedings of the National Academy of Sciences 36 (1): 48–49. DOI
  • Nash, John F. 1951. "Non-Cooperative Games." Annals of Mathematics 54 (2): 286–295. DOI
  • Osborne, Martin J., e Ariel Rubinstein. 1994. A Course in Game Theory. Cambridge, MA: MIT Press.
  • Schelling, Thomas C. 1960. The Strategy of Conflict. Cambridge, MA: Harvard University Press.
  • Selten, Reinhard. 1965. "Spieltheoretische Behandlung eines Oligopolmodells mit Nachfrageträgheit." Zeitschrift für die gesamte Staatswissenschaft 121: 301–324.
  • Stackelberg, Heinrich von. 1934. Marktform und Gleichgewicht. Vienna: Springer.
  • Von Neumann, John, e Oskar Morgenstern. 1944. Theory of Games and Economic Behavior. Princeton: Princeton University Press.