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Capítulo 7 — O Preço do Talvez

Até agora, o consumidor do nosso livro vivia num mundo confortável: ele sabia exatamente quanto custava cada bem, quanto ganhava por mês e qual era a qualidade de cada produto. A partir deste capítulo, tiramos esse tapete. No mundo real, o agricultor planta sem saber se vai chover; o investidor aplica sem saber se o mercado vai subir; o trabalhador aceita um emprego sem garantia de que a empresa sobreviverá. A incerteza é a regra, não a exceção — e a microeconomia precisa de ferramentas para lidar com ela.

Este capítulo desenvolve a teoria da escolha sob incerteza a partir do conceito de loteria, passando pela formulação axiomática da utilidade esperada de Von Neumann e Morgenstern, pela caracterização da aversão ao risco e suas medidas quantitativas, até os mecanismos institucionais que permitem reduzir ou redistribuir riscos. Ao final, introduzimos a abordagem de estado-preferência e oferecemos uma visão preliminar dos problemas de informação assimétrica que serão aprofundados em capítulos posteriores.

Roteiro do capítulo

Seção Pergunta-guia O que você vai aprender Página
7.1–7.2 O valor esperado basta para decidir sob risco? Loterias, Paradoxo de São Petersburgo, axiomas VNM, utilidade esperada Loterias e Utilidade Esperada
7.3–7.5 Como medir e precificar a aversão ao risco? Desigualdade de Jensen, Arrow-Pratt (ARA/RRA), prêmio de risco, equivalente de certeza Aversão ao Risco e Arrow-Pratt
7.6 Quais ferramentas existem para gerenciar o risco? Seguros, diversificação, opções reais, valor da informação Ferramentas Contra o Risco
7.7–7.8 Incerteza é só um problema de consumidor disfarçado? Ativos contingentes, Arrow-Debreu, seleção adversa, risco moral Estado-Preferência e Informação Assimétrica
Exercícios Teste e aplique Revisão, exercícios, ANPEC Exercícios
Pesquisa O que a fronteira diz? Chiappori & Salanié, Mehra & Prescott, Kahneman & Tversky, Rabin, Rosenzweig & Binswanger Pesquisa

Conexões com outros capítulos. O leitor que estudou a Seção 2.12 (estatística básica para economistas) encontrará aqui os conceitos de valor esperado e variância num papel protagonista, agora inseridos num modelo de escolha. Mais importante, o Capítulo 3 introduziu a utilidade como representação ordinal das preferências — o que importava era a ordenação, não o número em si. Neste capítulo, veremos que a utilidade VNM é fundamentalmente diferente: ela é uma representação cardinal, única a menos de transformações afins, e essa cardinalidade não é uma convenção matemática, mas uma exigência dos próprios axiomas de escolha racional sob incerteza. Compreender essa distinção é o primeiro passo para dominar a teoria do risco.