Soluções dos Exercícios — Capítulo 4¶
✏️ Exercício 4.1¶
Solução.
(a) Lagrangeano:
CPOs:
(b) Dividindo (1) por (2):
Substituindo em (3):
Com Cobb-Douglas simétrica (\(\alpha = \beta = 1/2\)), o consumidor gasta metade da renda em cada bem.
(c) Substituindo na utilidade:
(d) A Identidade de Roy afirma que \(x_i^* = -\frac{\partial V/\partial p_i}{\partial V/\partial I}\).
Interpretação econômica: A Identidade de Roy conecta a utilidade indireta às demandas marshallianas sem necessidade de re-resolver o problema de otimização. É a contraparte "dual" da condição de tangência no problema primal.
✏️ Exercício 4.2¶
Solução.
(a) Problema dual:
Lagrangeano: \(\mathcal{L} = p_1 x_1 + p_2 x_2 - \mu(x_1^{1/2} x_2^{1/2} - \bar{u})\).
CPOs:
Dividindo: \(p_1/p_2 = x_2/x_1\), logo \(x_2 = (p_1/p_2) x_1\).
(b) Substituindo na restrição:
(c) A função dispêndio:
(d) Lema de Shephard: \(h_i = \partial E/\partial p_i\).
(e) Identidade 1: \(V(\mathbf{p}, E(\mathbf{p}, \bar{u})) = \frac{E}{2\sqrt{p_1 p_2}} = \frac{2\bar{u}\sqrt{p_1 p_2}}{2\sqrt{p_1 p_2}} = \bar{u}\) ✓
Identidade 2: \(E(\mathbf{p}, V(\mathbf{p}, I)) = 2 \cdot \frac{I}{2\sqrt{p_1 p_2}} \cdot \sqrt{p_1 p_2} = I\) ✓
Interpretação econômica: A dualidade entre os problemas primal (maximizar utilidade dado o orçamento) e dual (minimizar dispêndio dado o nível de utilidade) é uma das estruturas mais elegantes da teoria do consumidor. O Lema de Shephard e a Identidade de Roy são "atalhos" que exploram essa dualidade, evitando resolver dois problemas separados.
✏️ Exercício 4.3¶
Solução.
(a) Com preferências Leontief \(u = \min\{2x_1, x_2\}\), o ótimo ocorre onde \(2x_1 = x_2\). Substituindo na restrição:
(b) \(u^* = \min\{2 \times 15, 30\} = \min\{30, 30\} = 30\).
(c) Com \(I = 180\):
\(u^* = 45 > 30\). Ambos os bens aumentam com a renda, logo ambos são normais.
De fato, com complementos perfeitos, as demandas são lineares na renda: \(x_1^* = I/8\) e \(x_2^* = I/4\), ambas crescentes em \(I\).
Interpretação econômica: Com complementos perfeitos, os bens são sempre consumidos em proporção fixa (aqui, \(x_2 = 2x_1\)). Não há substituição entre eles — uma mudança de preços relativos não altera a proporção, apenas a quantidade total consumida. Isso modela bens que devem ser usados juntos (café e açúcar, sapatos direito e esquerdo).
✏️ Exercício 4.4¶
Solução.
Com \(u = x_1^{0,4} x_2^{0,6}\), \(p_1 = 10\), \(p_2 = 5\), \(I = 1000\), as demandas Cobb-Douglas são:
Utilidade sem imposto: \(u_0 = 40^{0,4} \cdot 120^{0,6}\).
(a) Política A — Imposto específico. O novo preço do bem 1 é \(p_1' = 10 + t\). Demanda: \(x_1' = 400/(10+t)\). Receita tributária:
Com \(t = 10/3\): \(p_1' = 40/3\), \(x_1' = 400/(40/3) = 30\), \(x_2' = 600/5 = 120\).
Utilidade: \(u_A = 30^{0,4} \cdot 120^{0,6}\).
(b) Política B — Imposto lump sum. A nova renda é \(I' = 900\).
Utilidade: \(u_B = 36^{0,4} \cdot 108^{0,6}\).
(c) Comparando:
\(u_B > u_A\): o consumidor prefere o imposto lump sum. Isso é consistente com o princípio do montante fixo: para uma mesma receita arrecadada, um imposto lump sum causa menor perda de bem-estar que um imposto distorcivo, pois não altera os preços relativos. O imposto específico distorce a razão \(p_1/p_2\), levando o consumidor a substituir \(x_1\) por \(x_2\) de forma ineficiente (efeito substituição puro, sem contrapartida em receita).
Interpretação econômica: A diferença \(u_B - u_A\) é o custo de eficiência (peso morto) do imposto distorcivo. Em termos monetários, é a perda de excedente do consumidor que não se converte em receita para o governo — uma destruição líquida de bem-estar.
✏️ Exercício 4.5¶
Solução.
(a) Lagrangeano: \(\mathcal{L} = 2\sqrt{x_1} + x_2 - \lambda(p_1 x_1 + p_2 x_2 - I)\).
CPOs:
Da segunda: \(\lambda = 1/p_2\). Substituindo na primeira:
Da restrição: \(x_2^* = \frac{I - p_1 x_1^*}{p_2} = \frac{I}{p_2} - \frac{p_2}{p_1}\).
A solução é interior se \(x_2^* > 0\), ou seja, \(I > p_2^2/p_1\).
(b) A demanda \(x_1^* = p_2^2/p_1^2\) não contém \(I\). Todo aumento de renda vai para \(x_2\):
Com utilidade quase-linear, o efeito-renda sobre o bem não linear é zero — a renda afeta apenas o numerário (\(x_2\)).
(c) Utilidade indireta (substituindo as demandas):
Função dispêndio (invertendo \(V = \bar{u}\)):
(d) Demanda hicksiana (Lema de Shephard):
Que é idêntica à demanda marshalliana \(x_1^* = p_2^2/p_1^2\). Isso ocorre porque o efeito-renda sobre \(x_1\) é zero. Pela equação de Slutsky:
Como \(\partial x_1/\partial I = 0\), o termo de efeito-renda desaparece, e a demanda marshalliana coincide com a hicksiana.
Interpretação econômica: Com preferências quase-lineares, toda a resposta a mudanças de preço é efeito substituição puro (Slutsky). Isso torna a análise de bem-estar particularmente simples: o excedente do consumidor marshalliano é uma medida exata da variação compensadora e da variação equivalente — não há ambiguidade entre as três medidas de bem-estar.
✏️ Exercício 4.6¶
Solução.
(a) Para \(u = x_1 x_2\) (Cobb-Douglas com \(a=b=1\)): \(x_1^* = \frac{I}{2p_1} = \frac{80}{4} = 20\), \(x_2^* = \frac{I}{2p_2} = \frac{80}{8} = 10\).
(b) \(V = x_1^* \cdot x_2^* = 200\). Pela fórmula: \(V = \frac{I^2}{4p_1 p_2} = \frac{6400}{32} = 200\). ✓
(c) \(\partial V/\partial p_1 = -\frac{I^2}{4p_1^2 p_2} = -\frac{6400}{64} = -100\). \(\partial V/\partial I = \frac{I}{2p_1 p_2} = \frac{80}{8} = 10\). Roy: \(x_1 = -(-100)/10 = 10\). Espere — isso não bate. Recalculando: \(\partial V/\partial I = \frac{2I}{4p_1 p_2} = \frac{160}{32} = 5\). Logo \(x_1 = 100/5 = 20\). ✓
✏️ Exercício 4.7¶
Solução.
(a) TMS \(= 3/1 = 3\). Razão de preços: \(p_1/p_2 = 6/4 = 1{,}5\). Como TMS \(> p_1/p_2\), solução de canto em \(x_1\): \(x_1^* = 120/6 = 20\), \(x_2^* = 0\). \(U = 60\).
(b) Com \(p_1 = 2\): \(p_1/p_2 = 0{,}5 < 3\). Continua no canto: \(x_1^* = 60\), \(x_2^* = 0\). \(U = 180\).
✏️ Exercício 4.8¶
Solução.
(a) Para \(u = x_1^{1/3}x_2^{2/3}\), \(E = (3p_1)^{1/3}(3p_2/2)^{2/3}\bar{u}\).
(b) \(h_1 = \partial E/\partial p_1 = (3p_1)^{-2/3}(3p_2/2)^{2/3}\bar{u}\). ✓ pelo Lema de Shephard.
(c) Substituindo \(\bar{u} = V\) em \(E\), recupera-se \(I\). ✓
✏️ Exercício 4.9¶
Solução.
(a) Sem imposto: \(x_1 = 900\), \(x_2 = 2100\). Com imposto 20% (\(p_1=1{,}2\)): \(x_1^t = 750\), \(x_2^t = 2100\). Receita: \(R = 0{,}2 \times 750 = 150\).
(b) Lump sum de 150: \(I' = 2850\). \(x_1^L = 855\), \(x_2^L = 1995\). \(V_L = 855^{0,3} \times 1995^{0,7} \approx 1630 > V_t \approx 1600\). O lump sum gera maior utilidade. ✓
(c) Perda de peso morto: \(V_0 - V_t > V_0 - V_L\), confirmando o princípio do montante fixo.
✏️ Exercício 4.10¶
Solução.
(a) Com \(\sigma=2\), \(\rho=0{,}5\). \(P = (0{,}25 \cdot 3^{-1} + 0{,}25 \cdot 1^{-1})^{-1} = 3\). \(x_1^* = 5\), \(x_2^* = 45\). Verificação: \(3(5)+1(45)=60=I\). ✓
(b) Homogeneidade: multiplicando preços e renda por \(t\), o índice \(P\) escala por \(t\), e \(I/P\) permanece constante. ✓
(c) \(P = 3\). O índice CES pondera os preços pela substituibilidade do consumidor.