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Soluções dos Exercícios — Capítulo 1

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✏️ Exercício 1.1

Solução.

Um modelo que incluísse todas as variáveis relevantes de uma economia real seria o equivalente de um mapa na escala 1:1 — reproduziria cada detalhe do território sem simplificação alguma. Esse "modelo completo" seria inferior a um modelo mais simples por três razões:

  1. Inutilidade operacional. Se o modelo contém tantas variáveis quanto a própria realidade, resolvê-lo é tão difícil quanto observar a realidade diretamente. Nenhuma previsão ou intuição é gerada.

  2. Ausência de poder explicativo. A virtude de um modelo está em identificar quais variáveis importam para o fenômeno investigado. Incluir todas as variáveis equivale a dizer que "tudo depende de tudo" — uma afirmação verdadeira, porém vazia de conteúdo analítico.

  3. Impossibilidade de ceteris paribus. A estática comparativa — o principal instrumento de análise microeconômica — exige que se varie uma variável exógena mantendo as demais constantes. Em um modelo com todas as variáveis, não há como isolar efeitos causais parciais.

Interpretação econômica: A simplificação é uma virtude epistêmica porque é o ato de simplificar que revela a estrutura causal subjacente. Como argumentou Milton Friedman (1953), a qualidade de um modelo não se mede pelo realismo de suas suposições, mas pela capacidade de gerar previsões úteis — e previsões úteis exigem abstração.

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✏️ Exercício 1.2

Solução.

A afirmação aplica a verificação direta — julgar um modelo pelo realismo de suas premissas. Na perspectiva de Friedman (1953), essa abordagem é equivocada. O que importa é a verificação indireta: o modelo gera previsões empiricamente acuradas?

O modelo de concorrência perfeita supõe que há infinitos compradores e vendedores, produto homogêneo, informação perfeita e livre entrada. Nenhum mercado real satisfaz plenamente essas premissas. No entanto:

  • O modelo prevê corretamente que aumentos de custo elevam preços em mercados com muitos vendedores.
  • Prevê que subsídios aumentam a quantidade transacionada.
  • A lei da oferta e a lei da demanda, derivadas desse modelo, são regularidades empíricas robustas em mercados competitivos.

A analogia de Friedman é instrutiva: um modelo que supõe que jogadores de bilhar resolvem equações de física é obviamente "irrealista", mas pode gerar previsões excelentes sobre trajetórias de bolas.

Interpretação econômica: O modelo de concorrência perfeita é uma idealização útil — como um atrito zero em física. Não descreve nenhum mercado real, mas fornece um benchmark contra o qual desvios (poder de mercado, externalidades, informação assimétrica) podem ser medidos e compreendidos. Sua utilidade reside não na fidedignidade descritiva, mas no poder preditivo e na estrutura analítica que oferece.

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✏️ Exercício 1.3

Solução.

(a) Positiva. A afirmação faz uma previsão quantitativa sobre a relação entre salário mínimo e emprego formal. É testável empiricamente — por exemplo, via estimações econométricas que explorem variações regionais no salário mínimo. Não contém juízo de valor sobre se o resultado é desejável ou não.

(b) Normativa. A palavra "deveria" indica uma prescrição baseada em julgamento de valor. A afirmação combina implicitamente uma proposição positiva (aumentar o salário mínimo reduz desigualdade) com um juízo normativo (reduzir desigualdade é um objetivo que justifica essa política). Dois economistas podem concordar com a proposição positiva e discordar da normativa — por exemplo, se um deles priorizar o emprego formal sobre a igualdade.

(c) Positiva. Trata-se de um parâmetro estimável a partir de dados (séries temporais de preço e quantidade de gasolina, controlando por variáveis confundidoras). A afirmação pode ser verdadeira ou falsa, mas é em princípio verificável — portanto, positiva.

(d) Normativa. O conceito de "injustamente" envolve julgamento de valor. Para determinar se um preço é "justo", seria necessário definir um critério de justiça — o que não é uma questão empírica, mas filosófica.

(e) Positiva. A afirmação descreve uma relação causal entre uma política (transferência de renda) e um resultado observável (consumo). É testável por métodos como diferenças em diferenças ou regressão descontínua, usando dados de programas como o Bolsa Família.

Interpretação econômica: A distinção entre proposições positivas e normativas é fundamental para o debate de política pública. Divergências sobre proposições positivas podem, em princípio, ser resolvidas com mais e melhores dados. Divergências normativas refletem valores diferentes e não são resolúveis empiricamente.

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✏️ Exercício 1.4

Solução.

(a) O custo marginal é a derivada do custo total em relação a \(q\):

\[ CMg(q) = \frac{dCT}{dq} = \frac{d}{dq}\left(100 + 10q + q^2\right) = 10 + 2q \]

(b) Pela condição de primeira ordem (\(P = CMg\)):

\[ 50 = 10 + 2q \implies 2q = 40 \implies q^* = 20 \]

(c) A condição de segunda ordem exige que o custo marginal seja crescente no ponto ótimo:

\[ \frac{dCMg}{dq} = 2 > 0 \quad \checkmark \]

Como \(CMg(q) = 10 + 2q\) é estritamente crescente em todo o domínio, a condição de segunda ordem é satisfeita para qualquer \(q\), confirmando que \(q^* = 20\) é um máximo do lucro.

(d) O lucro máximo é:

\[ \pi^* = P \cdot q^* - CT(q^*) = 50 \times 20 - \left(100 + 10 \times 20 + 20^2\right) \]
\[ \pi^* = 1000 - (100 + 200 + 400) = 1000 - 700 = 300 \]

(e) Variáveis exógenas: o preço de mercado \(P = 50\) e os parâmetros da função de custo (100, 10, 1). Esses valores são determinados fora do modelo — o preço pelo mercado competitivo, os custos pela tecnologia da firma.

Variáveis endógenas: a quantidade ótima \(q^* = 20\) e, por consequência, o lucro máximo \(\pi^* = 300\). São determinadas dentro do modelo, como funções das variáveis exógenas.

Interpretação econômica: A firma produz até o ponto em que o benefício marginal de uma unidade adicional (o preço recebido, \(P = 50\)) iguala o custo marginal de produzi-la (\(CMg = 10 + 2q\)). Unidades com \(CMg < P\) geram lucro marginal positivo; unidades com \(CMg > P\) gerariam prejuízo. O lucro é maximizado exatamente na margem onde \(P = CMg\).

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✏️ Exercício 1.5

Solução.

(a) O paradoxo da água e do diamante, formulado por Adam Smith, consiste na seguinte observação: a água é essencial à vida (altíssimo valor de uso), mas tem baixo preço de mercado (baixo valor de troca). O diamante tem pouco valor de uso prático, mas preço de mercado elevadíssimo. Se o valor é determinado pela utilidade, como um bem mais útil pode valer menos?

(b) A teoria do valor-trabalho de Smith propõe que o valor de troca de um bem é determinado pela quantidade de trabalho necessária para produzi-lo. Essa teoria não resolve o paradoxo porque:

  • A água exige pouco trabalho para ser obtida (na maioria dos contextos), o que explicaria seu baixo preço. Mas a teoria não consegue explicar por que o preço da água sobe dramaticamente em situações de escassez (como no deserto), sem que a quantidade de trabalho para obtê-la mude proporcionalmente.
  • A teoria confunde o total de utilidade com o preço marginal. A utilidade total da água é enorme, mas isso não determina seu preço.

(c) A revolução marginalista (Jevons, Menger, Walras, 1871) resolve o paradoxo distinguindo entre utilidade total e utilidade marginal:

  • A água é abundante, logo o consumidor típico já dispõe de muitas unidades. A utilidade marginal (da próxima unidade) é baixa. O preço reflete a utilidade marginal, não a total.
  • O diamante é escasso, logo cada unidade disponível tem alta utilidade marginal. Mesmo que a utilidade total do diamante seja menor que a da água, sua utilidade marginal é maior — e é a utilidade marginal que determina o preço.

Formalmente, se \(U(x)\) é a utilidade total e \(UMg(x) = U'(x)\) é a utilidade marginal, o preço de equilíbrio em um mercado competitivo é proporcional a \(UMg\), não a \(U\). Como \(UMg\) é decrescente (lei da utilidade marginal decrescente), bens abundantes têm \(UMg\) baixo e preço baixo, independentemente do nível de \(U\).

(d) Marshall integra as perspectivas clássica e marginalista com a metáfora das duas lâminas da tesoura:

  • No curto prazo, a oferta é relativamente fixa, e o preço é determinado principalmente pela demanda — portanto, pela utilidade marginal (perspectiva marginalista). A água tem preço baixo porque a demanda, na margem, é baixa em relação à oferta abundante.
  • No longo prazo, a oferta se ajusta, e o preço tende a refletir os custos de produção — portanto, o trabalho e o capital incorporados (perspectiva clássica). O diamante é caro no longo prazo porque seus custos de extração e lapidação são elevados.

Interpretação econômica: Marshall mostra que a disputa entre clássicos e marginalistas era um falso dilema. Oferta e demanda são complementares, e o horizonte temporal determina qual das duas "lâminas" exerce maior influência sobre o preço. Essa síntese é o alicerce da análise microeconômica moderna.

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✏️ Exercício 1.6

Solução.

(a) Modelo A (oferta e demanda com salário mínimo):

  • Exógenas: salário mínimo (\(w_{\min}\)), nível de tecnologia/produtividade dos trabalhadores.
  • Endógenas: nível de emprego (\(L^*\)), salário de equilíbrio (na ausência do piso) e excesso de oferta de trabalho (desemprego) quando \(w_{\min}\) supera o salário de equilíbrio.

Modelo B (informação assimétrica, busca, heterogeneidade):

  • Exógenas: distribuição de produtividade dos trabalhadores, custo de busca por emprego, taxa de destruição de postos.
  • Endógenas: taxa de desemprego de equilíbrio, distribuição de salários, duração média do desemprego.

(b) O Modelo A é preferível quando a pergunta é simples e direta — por exemplo, "qual é a direção do efeito de um aumento do salário mínimo sobre o emprego total?". Nesse caso, a simplicidade do modelo permite uma resposta clara (\(L\) cai se \(w_{\min}\) está acima do equilíbrio) sem a complexidade adicional do Modelo B, que pode obscurecer a intuição central.

Como discutido na Seção 1.1, a analogia do mapa sugere que o "melhor" modelo depende da pergunta: para saber a direção geral, um mapa rodoviário simples (Modelo A) basta; para entender detalhes do trajeto, um mapa com curvas de nível (Modelo B) é necessário.

(c) O Modelo A omite: heterogeneidade de trabalhadores (todos são idênticos), fricções de busca (trabalhadores e firmas se encontram instantaneamente), e informação assimétrica (todos conhecem a produtividade de todos). O Modelo B inclui esses "detalhes do território", permitindo analisar questões como: quais trabalhadores são mais afetados pelo salário mínimo? Quanto tempo leva para encontrar um novo emprego?

Interpretação econômica: A escolha entre modelos é uma decisão sobre o nível de detalhe necessário para responder à pergunta em questão — exatamente como a escolha entre um mapa de estradas e um mapa topográfico.

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✏️ Exercício 1.7

Solução.

(a) Quando duas políticas são implementadas simultaneamente, o efeito observado sobre o consumo de gasolina é a soma dos efeitos das duas medidas. O aumento do ICMS eleva o preço da gasolina e tende a reduzir o consumo (ceteris paribus); mas a transferência de renda aumenta o poder de compra das famílias e pode aumentar o consumo (ceteris paribus). Se observamos, após as duas medidas, uma queda de 5% no consumo de gasolina, não sabemos se o efeito do ICMS foi de \(-8\%\) parcialmente compensado por \(+3\%\) da transferência, ou se foi de \(-5\%\) com efeito nulo da transferência. Sem ceteris paribus, os efeitos se confundem.

(b) Uma estratégia possível é explorar variação regional. Suponha que o aumento do ICMS afete todo o estado de São Paulo, mas o programa de transferência de renda beneficie apenas famílias em determinados municípios (os mais pobres). Usando diferenças em diferenças, pode-se comparar:

  • Municípios com ICMS mais alto e transferência (grupo "tratamento duplo")
  • Municípios com ICMS mais alto sem transferência (grupo "tratamento simples")

A diferença no consumo de gasolina entre os dois grupos isola o efeito da transferência; o efeito do ICMS pode ser estimado pela queda no consumo do grupo que recebe apenas o tratamento fiscal.

Alternativamente, pode-se usar variação temporal: se o aumento do ICMS entra em vigor em janeiro e as transferências começam apenas em abril, os meses de janeiro a março fornecem uma janela em que apenas o efeito do ICMS está ativo.

Interpretação econômica: Ambas as estratégias buscam aproximar o ceteris paribus na prática, conforme discutido na Seção 1.2 sobre verificação empírica e na seção "Pesquisa em Ação" sobre a revolução da credibilidade.

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✏️ Exercício 1.8

Solução.

(a) Exógenas: \(Y\) (renda), \(P_m\) (preço do milho), \(W\) (custo do fertilizante). Endógenas: \(P^*\) (preço da soja) e \(Q^*\) (quantidade de equilíbrio).

(b) No equilíbrio, \(Q^d = Q^s\):

\[ 500 - 2P + 3Y - P_m = -100 + 4P - 2W \]
\[ 600 + 3Y - P_m + 2W = 6P \]
\[ P^* = 100 + 0{,}5Y - \frac{P_m}{6} + \frac{W}{3} \]

Substituindo na função de demanda:

\[ Q^* = 500 - 2\left(100 + 0{,}5Y - \frac{P_m}{6} + \frac{W}{3}\right) + 3Y - P_m \]
\[ Q^* = 300 + 2Y - \frac{2P_m}{3} - \frac{2W}{3} \]

(c) Para \(Y = 80\), \(P_m = 20\), \(W = 30\):

\[ P^* = 100 + 0{,}5(80) - \frac{20}{6} + \frac{30}{3} = 100 + 40 - 3{,}33 + 10 = 146{,}67 \]
\[ Q^* = 300 + 2(80) - \frac{2(20)}{3} - \frac{2(30)}{3} = 300 + 160 - 13{,}33 - 20 = 426{,}67 \]

(d)

\[ \frac{\partial P^*}{\partial P_m} = -\frac{1}{6} \approx -0{,}167 \]

Interpretação: Um aumento no preço do milho reduz o preço de equilíbrio da soja. Isso ocorre porque o milho é substituto da soja na ração animal: quando o milho encarece, produtores de ração demandam mais soja (substituição), deslocando a curva de demanda da soja para a esquerda... Espere — o sinal negativo de \(P_m\) na demanda (\(-P_m\)) indica que um aumento em \(P_m\) reduz \(Q^d\). Isso significaria que soja e milho são complementares na perspectiva do comprador, não substitutos. Nesse caso, quando o milho encarece, a demanda por soja cai (se usados juntos na ração), o que reduz o preço da soja.

(e)

\[ \frac{\partial P^*}{\partial W} = \frac{1}{3} \approx 0{,}333 \]

Interpretação: Um aumento no custo do fertilizante eleva o preço de equilíbrio da soja. O mecanismo é direto: o custo mais alto desloca a curva de oferta para a esquerda (para cada preço, produz-se menos), reduzindo a quantidade e elevando o preço. Este é um exercício clássico de estática comparativa via choque de oferta.

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✏️ Exercício 1.9

Solução.

(a) O modelo de oligopólio é o mais apropriado. O mercado possui poucas firmas de grande porte (antes da fusão, duas dominantes), o que viola a hipótese de "muitos vendedores" da concorrência perfeita. Após a fusão, teríamos uma firma ainda mais dominante — mas não necessariamente um monopólio, pois pequenos supermercados e mercearias continuariam a competir. Modelos de Cournot (competição em quantidades) ou Bertrand (competição em preços), que permitem interação estratégica entre poucas firmas, são os mais adequados.

(b)

  • Exógenas: elasticidade-preço da demanda por alimentos na cidade, custos de operação dos supermercados (aluguel, logística, mão de obra), barreiras à entrada de novos concorrentes.
  • Endógenas: preço médio dos alimentos após a fusão, quantidade total vendida, lucro das firmas.

(c) "A fusão elevará o preço dos alimentos em 8%" é uma afirmação positiva — é uma previsão quantitativa, testável empiricamente por comparação com dados de preços antes e depois da fusão (ou com cidades similares onde a fusão não ocorreu).

"A fusão não deve ser aprovada" é uma afirmação normativa — envolve um julgamento de valor sobre o que é desejável (proteger consumidores? incentivar eficiência?). Dois economistas podem concordar que os preços subiriam 8% e discordar sobre se isso justifica o bloqueio.

(d) O CADE poderia usar a abordagem indireta: testar as previsões do modelo. Especificamente:

  • Comparar preços em cidades com fusões similares já realizadas (diferenças em diferenças).
  • Usar dados de fusões anteriores no mesmo setor para verificar se os modelos de simulação previram corretamente os efeitos sobre preços.
  • Contrastar as previsões de diferentes modelos (Cournot vs. Bertrand) com os dados observados para selecionar o mais adequado.

Interpretação econômica: O caso do CADE ilustra que a escolha de modelo não é neutra: modelos diferentes geram previsões diferentes sobre os efeitos de uma fusão, e a abordagem indireta (Seção 1.2) é a forma de discriminar entre eles.

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✏️ Exercício 1.10

Solução.

(a) A usina resolve:

\[ \max_{Q_e^s, Q_a^s} \; P_e Q_e^s + P_a Q_a^s \quad \text{sujeito a} \quad Q_e^s + Q_a^s = \bar{S} \]

Montando o lagrangeano:

\[ \mathcal{L} = P_e Q_e^s + P_a Q_a^s + \lambda(\bar{S} - Q_e^s - Q_a^s) \]

CPOs:

\[ \frac{\partial \mathcal{L}}{\partial Q_e^s} = P_e - \lambda = 0 \implies P_e = \lambda \]
\[ \frac{\partial \mathcal{L}}{\partial Q_a^s} = P_a - \lambda = 0 \implies P_a = \lambda \]

Portanto, \(P_e = P_a = \lambda\). No ótimo, a usina aloca a produção de modo que os preços nos dois mercados se igualem — caso contrário, ela poderia aumentar a receita deslocando produção do mercado com preço menor para o mercado com preço maior.

(b) Chamando \(P = P_e = P_a\), as condições de equilíbrio nos dois mercados são:

\[ Q_e^d = 300 - 5P, \qquad Q_a^d = 200 - 3P \]

E a restrição de oferta: \(Q_e^s + Q_a^s = \bar{S}\). No equilíbrio, \(Q_e^d = Q_e^s\) e \(Q_a^d = Q_a^s\), logo:

\[ (300 - 5P) + (200 - 3P) = \bar{S} \]
\[ 500 - 8P = \bar{S} \implies P^* = \frac{500 - \bar{S}}{8} \]

(c) Para \(\bar{S} = 280\):

\[ P^* = \frac{500 - 280}{8} = \frac{220}{8} = 27{,}50 \]
\[ Q_e^* = 300 - 5(27{,}50) = 300 - 137{,}50 = 162{,}50 \]
\[ Q_a^* = 200 - 3(27{,}50) = 200 - 82{,}50 = 117{,}50 \]

Verificação: \(Q_e^* + Q_a^* = 162{,}50 + 117{,}50 = 280 = \bar{S}\). ✓

(d) A estática comparativa é:

\[ \frac{\partial P^*}{\partial \bar{S}} = -\frac{1}{8} = -0{,}125 \]

Interpretação econômica: Um aumento na oferta total de cana (\(\bar{S}\)) reduz o preço de equilíbrio em ambos os mercados. A cada unidade adicional de cana disponível, o preço cai em R$ 0,125. Intuitivamente, uma supersafra de cana aumenta a oferta tanto de etanol quanto de açúcar, pressionando ambos os preços para baixo. Este resultado captura a interdependência entre os mercados de etanol e açúcar no Brasil — um choque de oferta agrícola afeta simultaneamente os dois mercados, porque compartilham o mesmo insumo.

Note que o exercício ilustra tanto a estática comparativa (Seção 1.4) quanto a conexão entre mercados via oferta conjunta — um fenômeno que o equilíbrio parcial marshalliano (um mercado de cada vez) não capturaria adequadamente.

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