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Glossário de Termos Técnicos

A

Alocação eficiente (de Pareto)
Distribuição de recursos na qual não é possível melhorar a situação de nenhum agente sem piorar a de outro. Também chamada de ótimo de Pareto.
Análise normativa
Investigação prescritiva sobre "o que deveria ser", baseada em julgamentos de valor. Exemplo: "o governo deveria tributar cigarros".
Análise positiva
Investigação descritiva ou preditiva sobre "o que é", verificável por confronto com dados empíricos. Exemplo: "um imposto sobre cigarro reduz o consumo em X%".
Aversão à perda
Tendência comportamental em que perdas têm impacto psicológico maior que ganhos de mesma magnitude. Na Teoria do Prospecto, o coeficiente de aversão à perda \(\lambda \approx 2{,}25\) implica que uma perda de R$ 100 "pesa" tanto quanto um ganho de R$ 225.
Aversão ao risco
Característica de um agente cuja função de utilidade é côncava na riqueza, preferindo o valor esperado de uma loteria à própria loteria. Formalmente, \(u(E[W]) > E[u(W)]\).
Ajuste de risco (risk adjustment)
Mecanismo regulatório que transfere recursos entre seguradoras conforme o perfil de risco dos segurados, neutralizando incentivos para seleção de riscos (cream-skimming). O pagamento de ajuste para a seguradora \(j\) é \(AR_j = \hat{m}_j - \bar{m}\). Cap. 23.
Atrito (attrition)
Saída de participantes de um estudo experimental ao longo do tempo. Quando o atrito é diferencial entre grupos de tratamento e controle, pode comprometer a validade interna do experimento. Cap. 22.

B

Backward-bending (curva de oferta de trabalho)
Curva de oferta de trabalho individual que, a partir de determinado nível salarial, apresenta inclinação negativa — aumentos adicionais no salário levam o indivíduo a reduzir suas horas trabalhadas, pois o efeito renda domina o efeito substituição. Graficamente, tem formato de "C invertido" no plano \((h, w)\).
Barganha de Rubinstein
Modelo de barganha com ofertas alternadas e desconto temporal. O equilíbrio perfeito em subjogos é único: o primeiro proponente obtém \(x_1^* = (1-\delta_2)/(1-\delta_1\delta_2)\).
Bem composto
Agregação de bens cujos preços relativos permanecem constantes, permitindo tratá-los como um único bem na análise (Teorema do Bem Composto de Hicks).
Bem de Giffen
Bem para o qual a quantidade demandada aumenta quando seu preço sobe. Requer que o bem seja inferior e que o efeito renda domine o efeito substituição.
Bem inferior
Bem cuja quantidade demandada diminui quando a renda do consumidor aumenta (\(\partial x_i / \partial I < 0\)).
Bem normal
Bem cuja quantidade demandada aumenta quando a renda do consumidor aumenta (\(\partial x_i / \partial I > 0\)).
Bem público
Bem que é simultaneamente não-rival (o consumo por um agente não reduz a disponibilidade para outros) e não-excludente (não é possível impedir o acesso).
Bem de informação (information good)
Bem cujo custo marginal de reprodução é próximo de zero, mas cujo custo fixo de criação é elevado. Exemplos: software, música digital, e-books. A estrutura de custos gera economias de escala extremas e tendência ao monopólio natural. Cap. 21.
Bem meritório (merit good)
Bem cujo consumo a sociedade considera desejável independentemente das preferências individuais reveladas, justificando intervenção estatal que vai além da correção de falhas de mercado tradicionais. Exemplo: saúde e educação. Cap. 23.

C

Competição monopolística
Estrutura de mercado com muitas firmas vendendo produtos diferenciados e com livre entrada; no equilíbrio de longo prazo, cada firma tem lucro zero e opera com excesso de capacidade. Cap. 16.
Cap-and-trade (sistema de comércio de emissões)
Instrumento de mercado para controle de poluição que fixa um teto (\(\bar{E}\)) de emissões totais e distribui permissões negociáveis entre firmas. A livre negociação garante que o abatimento ocorra nas firmas com menor custo marginal, alcançando eficiência de custos. Exemplos: EU ETS (Europa), RenovaBio/CBIOs (Brasil). Cap. 24.
Caixa de Edgeworth
Diagrama retangular usado na análise de equilíbrio geral para representar as possibilidades de troca entre dois consumidores e dois bens.
Carona (free riding)
Comportamento de um agente que se beneficia de um bem público sem contribuir para seu financiamento, explorando a não-excludência.
Cartel
Acordo explícito ou tácito entre firmas concorrentes para fixar preços, dividir mercados ou restringir a produção, visando obter lucros de monopólio. A sustentabilidade do cartel depende do fator de desconto e do número de firmas: com \(n\) firmas simétricas, a colusão requer \(\delta \geq 1 - 1/n\).
Ceteris paribus
Expressão latina ("tudo o mais constante") que designa o método de isolar o efeito de uma variável mantendo todas as demais fixas. Matematicamente, corresponde à derivada parcial.
Coeficiente de aversão absoluta ao risco (Arrow-Pratt)
Medida local de aversão ao risco definida como \(A(W) = -u''(W)/u'(W)\).
Coeficiente de aversão relativa ao risco
Medida de aversão ao risco proporcional à riqueza: \(R(W) = -W \cdot u''(W)/u'(W)\).
Colusão algorítmica
Coordenação de preços entre firmas mediada por algoritmos de precificação, que podem aprender a sustentar preços supracompetitivos sem comunicação explícita entre as empresas. Levanta desafios novos para a política antitruste, pois a colusão pode emergir sem acordo humano identificável. Cap. 21.
Colusão tácita
Coordenação de preços ou quantidades entre firmas oligopolistas sem acordo explícito, sustentada pela ameaça de retaliação em jogos repetidos. Ver Folk Theorem.
Complementos (bens)
Bens para os quais o aumento do preço de um reduz a demanda pelo outro. Em termos brutos: \(\partial x_i / \partial p_j < 0\).
Concorrência de Bertrand
Modelo de oligopólio em que as firmas competem escolhendo preços simultaneamente. Com produtos homogêneos e custos marginais constantes idênticos, o equilíbrio resulta em preço igual ao custo marginal (paradoxo de Bertrand).
Concorrência de Cournot
Modelo de oligopólio em que as firmas competem escolhendo quantidades simultaneamente. Cada firma maximiza lucro dada a quantidade da rival. Ver Equilíbrio de Cournot.
Concorrência perfeita
Estrutura de mercado com muitos compradores e vendedores, produto homogêneo, livre entrada e saída, e informação perfeita. Cada firma é tomadora de preços.
Condições de Kuhn-Tucker (KKT)
Generalização do método de Lagrange para problemas com restrições de desigualdade; incluem condições de complementaridade: \(\lambda_j \geq 0\) e \(\lambda_j \cdot g_j(\mathbf{x}) = 0\).
Cunha tributária
Diferença entre o preço pago pelo consumidor (\(p_c\)) e o preço recebido pelo produtor (\(p_p\)) decorrente de um imposto: \(p_c - p_p = t\). Quanto maior a cunha, maior a redução na quantidade transacionada e maior a perda de peso morto.
Curva de contrato
Lugar geométrico das alocações eficientes de Pareto na Caixa de Edgeworth.
Curva de Engel
Relação entre a renda do consumidor e a quantidade demandada de um bem, mantidos os preços constantes.
Curva de indiferença
Lugar geométrico de todas as cestas de bens que proporcionam ao consumidor o mesmo nível de utilidade.
Curva envoltória
A curva de custo médio de longo prazo, obtida como envoltória inferior das curvas de custo médio de curto prazo. Para cada nível de produto, \(\mathrm{CMe}_{LP}(q) \leq \mathrm{CMe}_{CP}(q; \bar{K})\) para todo \(\bar{K}\), com igualdade quando \(\bar{K}\) é o nível ótimo de capital para aquele \(q\).
Custo de uso do capital
Custo por período de utilizar uma unidade de capital: \(c_K = p_K(r + \delta)\), incluindo o custo de oportunidade financeiro e a depreciação física. Cap. 18.
Custo social do carbono (SCC)
Valor monetário do dano causado por uma tonelada adicional de CO\(_2\) emitida, expresso em valor presente. Sintetiza os danos climáticos futuros descontados e serve de referência para a calibração de impostos sobre carbono e análises de custo-benefício de políticas climáticas. Estimativas variam amplamente conforme a taxa de desconto e a função de dano adotadas. Cap. 24.
Custo contábil
Registro apenas dos desembolsos efetivamente realizados — custos explícitos. Não considera o custo de oportunidade dos recursos próprios da firma.
Custo de oportunidade
Valor da melhor alternativa renunciada ao se fazer uma escolha. Inclui tanto custos explícitos quanto custos implícitos (remuneração do capital próprio, salário do proprietário, etc.). Conceito central em economia.
Custo de transação
Custos associados à utilização do mecanismo de mercado: busca, negociação, elaboração e execução de contratos. Segundo Coase (1937), firmas existem porque esses custos tornam mais eficiente organizar a produção internamente do que coordenar tudo via transações de mercado.
Custo econômico
Custo de oportunidade de utilizar um recurso na produção — o valor desse recurso em seu melhor uso alternativo. Inclui custos explícitos e implícitos.
Custo marginal (CMg)
Acréscimo no custo total decorrente da produção de uma unidade adicional: \(CMg = \partial C(q)/\partial q\).
Custo médio (CMe)
Custo total dividido pela quantidade produzida: \(CMe = C(q)/q\).
Custos irrecuperáveis (sunk costs)
Despesas já realizadas e que não podem ser recuperadas. Do ponto de vista da tomada de decisão racional, não devem influenciar decisões correntes e futuras.
Custo de troca (switching cost)
Custo incorrido pelo consumidor ao migrar de um fornecedor para outro, incluindo custos de dados, aprendizagem, rede e complementaridade. Formalmente, \(SC_i = c_{\text{dados}} + c_{\text{rede}} + c_{\text{aprend.}} + c_{\text{compl.}}\). Custos de troca elevados geram lock-in e barreiras à entrada. Cap. 21.

D

DALY (Disability-Adjusted Life Year)
Ano de vida ajustado por incapacidade. Métrica de carga de doença que soma os anos de vida perdidos por morte prematura (\(YLL\)) e os anos vividos com incapacidade (\(YLD\)): \(DALY = YLL + YLD\). Usada pela OMS para comparações internacionais de saúde. Cap. 23.
Demanda induzida pelo ofertante (SID)
Situação na qual o médico, aproveitando sua superioridade informacional, recomenda ao paciente quantidade de serviços acima do clinicamente necessário, aumentando sua própria receita. Formalmente, o médico escolhe \(n > n^*(s)\) quando o benefício marginal da receita supera o custo de consciência \(\theta\). Cap. 23.
Decomposição de Oaxaca-Blinder
Técnica econométrica que separa o diferencial salarial entre grupos em uma parte explicada (diferenças de características observáveis) e uma parte não explicada (diferenças nos retornos, potencialmente associada à discriminação). Cap. 17.
Diferencial compensatório
Diferença salarial que compensa trabalhadores por características indesejáveis do emprego (risco, insalubridade, localização remota), de modo que, em equilíbrio, a utilidade total é igualada entre ocupações. Cap. 17.
Discriminação estatística
Discriminação baseada em características observáveis do grupo como proxy para produtividade individual não observada, podendo ser racional do ponto de vista da firma mesmo quando injusta socialmente. Cap. 17.
Dispositivo de comprometimento
Ação ou mecanismo que restringe as opções futuras de um agente, tornando críveis suas ameaças ou promessas. Exemplos: investimento irreversível em capacidade, regras fiscais constitucionais, independência do Banco Central. Cap. 9b.
Demanda compensada (hicksiana)
Função de demanda que mostra a quantidade ótima mantendo o nível de utilidade constante: \(h_i(p_1, p_2, \bar{U})\). Obtida a partir da minimização do dispêndio.
Demanda de mercado
Quantidade total demandada por todos os consumidores a cada nível de preço, obtida pela soma horizontal das curvas de demanda individuais: \(X(p) = \sum_{i=1}^{n} x_i(p)\).
Demanda marshalliana (não-compensada)
Função de demanda ordinária que relaciona a quantidade ótima aos preços e à renda: \(x_i^*(p_1, p_2, I)\). Obtida a partir da maximização de utilidade.
Desconto hiperbólico
Modelo de preferências intertemporais em que a taxa de desconto é decrescente no tempo. Na formulação quasi-hiperbólica (\(\beta, \delta\)), o viés de presente é capturado por \(\beta < 1\).
Diferenças em diferenças (DiD)
Método quase-experimental que estima o efeito causal de uma intervenção comparando a variação de resultados entre grupo tratado e grupo de controle antes e depois do tratamento: \(\tau_{DD} = (\bar{Y}_{T,\text{pós}} - \bar{Y}_{T,\text{pré}}) - (\bar{Y}_{C,\text{pós}} - \bar{Y}_{C,\text{pré}})\). Requer a hipótese de tendências paralelas. Cap. 22.
Dilema dos Prisioneiros
Jogo canônico em que a estratégia dominante de cada jogador leva a um resultado Pareto-inferior à cooperação mútua.
Discriminação de preços
Prática de cobrar preços diferentes por unidades do mesmo bem. Primeiro grau: preço personalizado. Segundo grau: menus de contratos (autosseleção). Terceiro grau: segmentação de mercados.
Duplo dividendo
Argumento segundo o qual um imposto ambiental (e.g., sobre carbono) gera dois benefícios simultâneos: (i) redução da poluição e (ii) receita que permite reduzir impostos distorcivos preexistentes (sobre trabalho, renda), melhorando a eficiência do sistema tributário. Cap. 24.

E

Economia da atenção
Perspectiva segundo a qual, na era digital, o recurso escasso não é a informação, mas a atenção humana (Simon, 1971). Plataformas de mídia e redes sociais competem pela atenção dos usuários e a monetizam via publicidade, gerando trade-offs entre qualidade do conteúdo e volume de anúncios. Cap. 21.
Economias de escala
Redução do custo médio de longo prazo à medida que a escala de produção aumenta. Presentes quando \(C(q)/q\) é decrescente em \(q\).
Economias de escopo
Redução de custos obtida pela produção conjunta de dois ou mais bens: \(C(q_1, q_2) < C(q_1, 0) + C(0, q_2)\).
Efeito de rede (network effect)
Situação em que o valor de um produto ou serviço para um usuário aumenta com o número de outros usuários. O efeito de rede é direto quando o benefício vem do mesmo lado (e.g., telefone) e indireto (ou cruzado) quando vem do outro lado de um mercado bilateral (e.g., mais vendedores atraem mais compradores). Cap. 21.
Efeito médio do tratamento (ATE)
Diferença média nos resultados potenciais entre tratamento e controle: \(ATE = E[Y_i(1) - Y_i(0)]\). Identificação causal requer aleatorização ou métodos quase-experimentais. Cap. 22.
Efeito renda
Variação na quantidade demandada de um bem causada pela mudança no poder de compra real do consumidor, mantida constante a razão de preços relativos.
Efeito substituição
Variação na quantidade demandada de um bem causada pela mudança nos preços relativos, mantido constante o nível de utilidade (Hicks) ou o poder de compra (Slutsky).
Elasticidade de Frisch
Elasticidade da oferta de trabalho mantendo constante a utilidade marginal da riqueza; mede a resposta das horas trabalhadas a variações salariais temporárias. Fundamental para calibrar modelos macroeconômicos de ciclos reais. Cap. 17.
Elasticidade de substituição (\(\sigma\))
Medida da facilidade de substituição entre insumos (ou bens), definida como a variação percentual na razão dos insumos dividida pela variação percentual na TMST: \(\sigma = \frac{d\ln(K/L)}{d\ln(TMST)}\).
Elasticidade-preço da demanda
Variação percentual na quantidade demandada dividida pela variação percentual no preço: \(\varepsilon_{x,p} = \frac{\partial x}{\partial p} \cdot \frac{p}{x}\).
Elasticidade-renda da demanda
Variação percentual na quantidade demandada dividida pela variação percentual na renda: \(\varepsilon_{x,I} = \frac{\partial x}{\partial I} \cdot \frac{I}{x}\).
Ensaio controlado randomizado (RCT)
Experimento no qual os participantes são aleatoriamente atribuídos a um grupo de tratamento ou controle, permitindo identificação causal do efeito da intervenção. Padrão-ouro da avaliação de impacto em economia do desenvolvimento, saúde e políticas públicas. Cap. 22.
Equação de Ramsey (taxa social de desconto)
Fórmula que determina a taxa de desconto social: \(r = \rho + \eta g\), onde \(\rho\) é a taxa pura de preferência temporal, \(\eta\) a elasticidade da utilidade marginal e \(g\) a taxa de crescimento do consumo per capita. Central no debate sobre política climática (Stern vs. Nordhaus). Cap. 24.
Equação de Euler (do consumo)
Condição de otimalidade intertemporal que iguala a utilidade marginal do consumo presente ao retorno descontado da utilidade marginal futura: \(u'(C_1) = \beta(1+r)\,u'(C_2)\). Rege a suavização do consumo ao longo do tempo. Cap. 18.
Equação de Fisher
Relação entre a taxa de juros nominal \(i\), a taxa real \(r\) e a inflação \(\pi\): \(1+i = (1+r)(1+\pi)\). Em aproximação, \(i \approx r + \pi\). Cap. 18.
Equação de Slutsky
Relação fundamental que decompõe o efeito total de uma variação de preço em efeito substituição e efeito renda: \(\frac{\partial x_i}{\partial p_j} = \frac{\partial h_i}{\partial p_j} - x_j \frac{\partial x_i}{\partial I}\).
Equilíbrio bayesiano de Nash (EBN)
Equilíbrio de Nash em jogos com informação incompleta, no qual cada jogador maximiza seu payoff esperado dadas suas crenças sobre os tipos dos demais.
Equilíbrio bayesiano perfeito (EBP)
Refinamento que combina estratégias sequencialmente racionais com crenças consistentes via regra de Bayes em todo conjunto de informação alcançado com probabilidade positiva.
Equilíbrio de Cournot
Equilíbrio de Nash em um jogo de oligopólio em que as firmas escolhem quantidades simultaneamente. Cada firma maximiza lucro dada a quantidade da rival.
Equilíbrio de Nash
Perfil de estratégias no qual nenhum jogador pode aumentar seu payoff alterando unilateralmente sua estratégia: \(u_i(s_i^*, s_{-i}^*) \geq u_i(s_i, s_{-i}^*)\) para todo \(s_i \in S_i\).
Equilíbrio de Stackelberg
Equilíbrio em um jogo sequencial de oligopólio em que a firma líder escolhe sua quantidade primeiro, e a firma seguidora observa essa escolha e responde otimamente. Resolvido por indução retroativa: o líder maximiza seu lucro sobre a função de melhor-resposta da seguidora.
Equilíbrio geral
Estado em que todos os mercados de uma economia estão simultaneamente em equilíbrio, com preços que igualam oferta e demanda em cada mercado.
Equilíbrio parcial
Análise de um mercado individual tomando os demais como dados (abordagem marshalliana). Adequada quando o mercado em questão é pequeno em relação ao restante da economia.
Equilíbrio perfeito em subjogos
Refinamento do equilíbrio de Nash para jogos sequenciais que requer que as estratégias constituam um equilíbrio de Nash em cada subjogo.
Equilíbrio separador e equilíbrio agrupador
No equilíbrio separador, tipos diferentes escolhem ações distintas, revelando sua informação privada. No agrupador (pooling), todos os tipos escolhem a mesma ação.
Equivalência de receita (Revenue Equivalence)
Teorema que estabelece que, sob certas condições (valores privados independentes, licitantes neutros ao risco), todos os formatos de leilão padrão geram a mesma receita esperada para o vendedor.
Equivalente de certeza
Quantia certa que proporciona ao agente a mesma utilidade esperada de uma loteria: \(u(EC) = E[u(W)]\).
Estática comparativa
Método de análise que compara dois equilíbrios — antes e depois da mudança de um parâmetro exógeno — sem modelar a trajetória de transição.
Estratégia dominante
Estratégia que proporciona ao jogador um payoff estritamente superior a qualquer outra, independentemente das escolhas dos demais jogadores.
Estratégia mista
Distribuição de probabilidade sobre o conjunto de estratégias puras de um jogador: \(\sigma_i \in \Delta(S_i)\).
Excedente do consumidor (EC)
Diferença entre o que o consumidor está disposto a pagar e o que efetivamente paga. Área sob a curva de demanda e acima do preço de mercado.
Excedente do produtor (EP)
Diferença entre a receita recebida pelo produtor e o custo variável de produção. Área acima da curva de oferta e abaixo do preço de mercado.
Externalidade
Efeito da ação de um agente sobre o bem-estar de terceiros que não é mediado pelo sistema de preços. Pode ser positiva (benefício externo) ou negativa (custo externo). Constitui falha de mercado quando é tecnológica (e não meramente pecuniária).
Externalidade de privacidade
Externalidade negativa que surge quando a decisão de um agente de compartilhar dados pessoais (\(d_i\)) afeta a utilidade de terceiros (\(U_j(x_j, d_i)\)), por exemplo ao permitir inferências sobre indivíduos que não consentiram. A quantidade de dados compartilhados no equilíbrio de mercado tende a ser excessiva em relação ao ótimo social. Cap. 21.

F

Firma tomadora de preços
Firma que, por ser pequena em relação ao mercado, não tem capacidade de influenciar o preço de mercado; aceita o preço vigente como dado. Nesse caso, a receita marginal iguala o preço: \(RMg = p\).
Folk Theorem
Resultado que estabelece que, em jogos repetidos infinitamente com fator de desconto suficientemente alto, qualquer payoff individualmente racional e factível pode ser sustentado como equilíbrio de Nash.
Fronteira de possibilidades de produção (FPP)
Conjunto de combinações máximas de bens que uma economia pode produzir dada sua dotação de recursos e tecnologia.
Função de custo
Função que associa ao nível de produto e aos preços dos insumos o custo mínimo de produção: \(C(w, r, q)\).
Função de lucro
Função que associa aos preços de produto e insumos o lucro máximo: \(\pi(p, w, r)\).
Função de produção
Relação técnica que descreve a quantidade máxima de produto que pode ser obtida a partir de dadas quantidades de insumos: \(q = f(K, L)\).
Função de utilidade
Função \(U: X \to \mathbb{R}\) que representa as preferências do consumidor, atribuindo valores numéricos a cestas de bens de modo que cestas preferidas recebem valores maiores.
Função de utilidade indireta
Máximo de utilidade alcançável dados os preços e a renda: \(V(p_1, p_2, I) = \max U(\mathbf{x})\) sujeito à restrição orçamentária.
Função dispêndio (expenditure function)
Mínimo gasto necessário para atingir um dado nível de utilidade: \(E(p_1, p_2, \bar{U}) = \min \mathbf{p} \cdot \mathbf{x}\) sujeito a \(U(\mathbf{x}) \geq \bar{U}\).

G

Gorman (forma polar de)
Condição sobre as preferências individuais que permite agregar demandas de forma que a demanda de mercado dependa apenas de preços e da renda agregada. Satisfeita quando as funções de utilidade indireta têm a forma \(V^h(\mathbf{p}, I^h) = a(\mathbf{p}) + b(\mathbf{p}) I^h\), o que equivale a curvas de Engel lineares e paralelas entre consumidores.

G

Gatekeeper (porteiro digital)
Plataforma que controla o acesso a um mercado ou serviço digital essencial, detendo poder significativo sobre as condições de participação de empresas e consumidores. Conceito regulatório central no Digital Markets Act (DMA) da União Europeia, que impõe obrigações de interoperabilidade e não-discriminação a gatekeepers designados. Cap. 21.

H

Herfindahl-Hirschman (índice — HHI)
Medida de concentração de mercado definida como a soma dos quadrados das participações de mercado de todas as firmas: \(\text{HHI} = \sum_{i=1}^{N} s_i^2 \times 10\,000\). Valores acima de 2.500 indicam mercado altamente concentrado; o CADE usa limiar de 1.500 como sinal de concentração elevada.
Hold-up (problema de)
Risco de comportamento oportunista que surge quando investimentos são específicos a uma relação contratual. Após realizado o investimento específico, a parte investidora fica vulnerável à renegociação em termos desfavoráveis pela contraparte. Favorece a integração vertical como solução (Williamson, 1975).
Homogeneidade de uma função
Uma função \(f(\mathbf{x})\) é homogênea de grau \(k\) se \(f(t\mathbf{x}) = t^k f(\mathbf{x})\) para todo \(t > 0\). A função de produção com rendimentos constantes de escala é homogênea de grau 1. A função de demanda é homogênea de grau zero em preços e renda.

I

ICER (Razão de custo-efetividade incremental)
Métrica de avaliação de tecnologias em saúde definida como \(ICER = \Delta C / \Delta E\), onde \(\Delta C\) é o custo adicional e \(\Delta E\) o ganho de efetividade (tipicamente em QALYs) de uma intervenção em relação à alternativa. Intervenções com ICER abaixo do limiar de disposição a pagar são consideradas custo-efetivas. Cap. 23.
Identidade de Roy
Relação que permite obter a demanda marshalliana a partir da utilidade indireta: \(x_i^* = -\frac{\partial V/\partial p_i}{\partial V/\partial I}\).
Imposto pigouviano
Tributo sobre a atividade geradora de externalidade negativa, igual ao dano marginal externo no ótimo social, que restaura a eficiência alocativa.
Incidência tributária
Distribuição efetiva do ônus de um imposto entre compradores e vendedores, determinada pelas elasticidades relativas de oferta e demanda — não por quem formalmente recolhe o tributo. O lado mais inelástico do mercado arca com a maior parcela: a fração absorvida pelo consumidor é \(\varepsilon_S / (\varepsilon_S + |\varepsilon_D|)\).
Índice de Lerner
Medida de poder de mercado definida como \(L = \frac{p - CMg}{p} = -\frac{1}{\varepsilon}\), onde \(\varepsilon\) é a elasticidade-preço da demanda.
Imunidade de rebanho (herd immunity)
Limiar de cobertura vacinal acima do qual a doença não consegue se propagar na população, protegendo inclusive os não vacinados. O limiar é \(1 - 1/R_0\), onde \(R_0\) é o número básico de reprodução. Como cada vacinação gera uma externalidade positiva, o nível de vacinação de mercado tende a ficar abaixo do socialmente ótimo. Cap. 23.
Informação assimétrica
Situação em que uma das partes de uma transação possui informação privada relevante que a outra desconhece. Gera problemas de seleção adversa (informação oculta ex ante) e risco moral (ação oculta ex post).
Interdependência estratégica
Característica definidora do oligopólio: o lucro de cada firma depende não apenas de sua própria decisão, mas também das decisões de todas as rivais. Formalmente, \(\pi_i(s_i, s_{-i})\).
Isoquanta
Lugar geométrico de todas as combinações de insumos que geram o mesmo nível de produto.

L

Lock-in (aprisionamento)
Situação em que custos de troca elevados aprisionam o consumidor em um produto, plataforma ou ecossistema, mesmo que alternativas superiores existam. Resulta da combinação de custos de dados, aprendizagem, rede e complementaridade. Gera dependência de trajetória e pode sustentar poder de mercado. Cap. 21.
Lagrangeano
Função auxiliar usada em problemas de otimização com restrições: \(\mathcal{L} = f(\mathbf{x}) + \lambda[g(\mathbf{x}) - c]\).
Lei de Walras
Em um modelo de equilíbrio geral, o valor total do excesso de demanda em todos os mercados é identicamente zero: \(\sum_i p_i z_i(\mathbf{p}) \equiv 0\).
Leilão de Vickrey (segundo preço)
Formato de leilão selado em que o vencedor é o maior lance, mas paga o segundo maior lance. Lançar o valor verdadeiro é estratégia fracamente dominante.
Lema de Hotelling
A derivada parcial da função lucro em relação ao preço do produto é a oferta ótima; em relação ao preço do insumo, é o negativo da demanda ótima pelo insumo.
Lema de Shephard
A derivada parcial da função custo (ou dispêndio) em relação ao preço de um insumo é a demanda condicionada (ou hicksiana) por aquele insumo.

M

Market unraveling
Processo iterativo de deterioração do pool de participantes em um mercado com seleção adversa: à medida que os tipos de melhor qualidade se retiram, o preço cai, expulsando mais tipos, podendo levar ao colapso completo do mercado (Akerlof, 1970). Cap. 9d.
Maldição do vencedor (winner's curse)
Fenômeno em leilões de valor comum no qual o vencedor tende a ter superestimado o valor do objeto, levando a pagamentos excessivos se não ajustar o lance para baixo.
Mecanismo VCG (Vickrey-Clarke-Groves)
Mecanismo de revelação direta que aloca eficientemente e cobra de cada agente a externalidade que sua participação impõe aos demais, generalizando o leilão de segundo preço de Vickrey para ambientes com múltiplos bens ou decisões coletivas. Cap. 9c.
Massa crítica (critical mass)
Número mínimo de participantes necessário para que uma rede ou plataforma se torne auto-sustentável, superando o "problema do ovo e da galinha". Abaixo de \(n_c\), os benefícios de rede são insuficientes para atrair novos participantes e a plataforma tende a colapsar. Cap. 21.
Maximização de lucro
Objetivo da firma de escolher o nível de produção que maximiza \(\pi = R(q) - C(q)\). Condição de primeira ordem: \(RMg = CMg\).
Mercado bilateral (two-sided market)
Mercado intermediado por uma plataforma que conecta dois grupos distintos de usuários cujas demandas são interdependentes via externalidades cruzadas (\(\alpha_B, \alpha_S\)). A estrutura de preços (e não apenas o nível) importa: a plataforma pode subsidiar o lado mais sensível ao preço para atrair o outro lado. Exemplos: cartões de crédito, marketplaces, aplicativos de transporte. Cap. 21.
Mercado contestável
Mercado em que a ameaça de entrada e saída sem custos irrecuperáveis disciplina o incumbente, mesmo que haja apenas uma firma. Requer: (i) ausência de custos irrecuperáveis de entrada e saída; (ii) acesso à mesma tecnologia; (iii) consumidores que respondem instantaneamente a diferenças de preço (Baumol, Panzar e Willig, 1982).
Modelo de Spence (sinalização)
Modelo em que a parte mais bem informada (por exemplo, o trabalhador de alta produtividade) investe em um sinal observável e custoso (por exemplo, educação) para revelar credivelmente seu tipo ao mercado. A chave é que o custo do sinal é menor para os tipos de alta qualidade, tornando a imitação não lucrativa.
Modelo de Grossman
Modelo em que a saúde é tratada como um estoque de capital durável (\(H_t\)) que se deprecia com a idade (\(\delta_t\)) e pode ser reposto via investimento (\(I_t\)) em cuidados médicos (\(m_t\)) e tempo (\(\tau_t^H\)). A demanda por cuidados médicos é derivada da demanda por saúde. Cap. 23.
Modelo DICE (Dynamic Integrated model of Climate and the Economy)
Modelo integrado de avaliação climático-econômica desenvolvido por William Nordhaus, que combina um módulo econômico de crescimento com um módulo climático para avaliar custos e benefícios de políticas de mitigação. A função de dano \(\Omega(T)\) relaciona aumento de temperatura a perda de produto. Cap. 24.
Modelo econômico
Representação simplificada de uma situação econômica real, expressa por meio de relações lógicas (frequentemente matemáticas) entre variáveis, construída com o objetivo de explicar fenômenos observados e gerar previsões testáveis.
Monopólio
Estrutura de mercado com um único vendedor. O monopolista é formador de preço e produz abaixo do nível eficiente.
Monopólio natural
Mercado cuja função de custo é subaditiva: uma única firma pode produzir qualquer quantidade a um custo total menor do que duas ou mais firmas produzindo conjuntamente. Formalmente, \(C(q) < C(q_1) + C(q_2)\) para todo \(q_1 + q_2 = q\). Exemplos: redes de distribuição de água, gás e eletricidade.
Monopsônio
Estrutura de mercado com um único comprador de um insumo (tipicamente trabalho). O monopsonista paga abaixo do valor do produto marginal.
Multitarefa (multitasking)
Problema de incentivos em que o agente aloca esforço entre múltiplas dimensões do trabalho; incentivos fortes em uma dimensão mensurável podem distorcer o esforço para longe de outras dimensões menos mensuráveis (Holmström e Milgrom, 1991). Cap. 9d.
Multiplicador de Lagrange (\(\lambda\))
No problema de otimização restrita, representa o valor marginal (preço-sombra) do relaxamento da restrição.

N

Novo monopsônio (Manning)
Abordagem que reconhece poder monopsonístico mesmo em mercados com múltiplos empregadores, decorrente de custos de mobilidade, fricções de busca e informação imperfeita sobre vagas. A oferta de trabalho à firma individual é positivamente inclinada, permitindo salários abaixo do produto marginal. Cap. 17.
Nudge (empurrão)
Intervenção que altera a arquitetura de escolha para direcionar comportamentos sem restringir opções nem alterar incentivos econômicos (Thaler e Sunstein, 2008).

P

Pagamento por serviços ambientais (PSA)
Instrumento pelo qual beneficiários de serviços ecossistêmicos (água limpa, sequestro de carbono, biodiversidade) remuneram provedores desses serviços, internalizando externalidades positivas. Exemplos: REDD+ (desmatamento evitado), Bolsa Floresta (Amazonas). Cap. 24.
Poupança genuína (adjusted net savings)
Indicador de sustentabilidade que ajusta a poupança nacional bruta pela depreciação do capital produzido (\(D_K\)), esgotamento de recursos naturais (\(D_N\)), investimento em educação (\(E\)) e danos da poluição (\(P\)): \(S^* = S - D_K - D_N + E - P\). Países com \(S^* < 0\) estariam consumindo seu capital total. Cap. 24.
Preços hedônicos (hedonic pricing)
Método de valoração que estima o preço implícito de atributos não-mercado (qualidade ambiental, segurança) a partir de preços de bens diferenciados (imóveis, salários): \(p_Q = \partial P / \partial Q\). Usado para mensurar disposição a pagar por qualidade do ar, proximidade de áreas verdes, etc. Cap. 24.

O

Opção externa (outside option)
Payoff disponível a um negociador fora da barganha corrente; torna-se vinculante quando excede o payoff que o jogador obteria no equilíbrio sem ela, alterando a divisão do excedente. Cap. 9b.
Oligopólio
Estrutura de mercado em que um pequeno número de firmas detém parcela significativa do mercado, e cada uma reconhece que suas decisões afetam — e são afetadas por — as decisões das rivais. A interdependência estratégica é o traço definidor, e os modelos clássicos incluem Bertrand (preços), Cournot (quantidades) e Stackelberg (líder-seguidora).
Ótimo de Pareto
Ver Alocação eficiente (de Pareto).

P

Perda de peso morto (PPM)
Redução no bem-estar social total (EC + EP) causada por uma distorção no mercado (monopólio, imposto, externalidade). Também chamada perda de eficiência.
Poder de mercado
Capacidade de uma firma fixar preço acima do custo marginal e obter lucros econômicos persistentes. Mensurado pelo Índice de Lerner: \(L = (p - CMg)/p\).
Preferências homotéticas
Preferências para as quais as curvas de Engel são retas passando pela origem, implicando que a proporção de gastos entre bens é independente da renda.
Preferência revelada (axioma fraco — AFPR)
Se a cesta \(\mathbf{x}\) é escolhida quando \(\mathbf{y}\) era acessível, então \(\mathbf{y}\) nunca pode ser escolhida quando \(\mathbf{x}\) é acessível.
Preço de Lindahl
Preço personalizado para um bem público, igual ao benefício marginal de cada consumidor, de modo que a soma iguala o custo marginal.
Price cap (preço-teto regulatório)
Regulação de monopólio natural que fixa um teto de preço ajustado pela fórmula \(RPI - X\) (inflação menos ganho de produtividade esperado), incentivando eficiência produtiva ao permitir que a firma retenha lucros de reduções de custo. Cap. 16.
Primeiro Teorema do Bem-Estar
Em uma economia com mercados completos e concorrência perfeita, qualquer equilíbrio competitivo é uma alocação eficiente de Pareto.
Principal-agente (modelo)
Arcabouço teórico para analisar situações em que uma parte (principal) delega uma tarefa a outra (agente) sob informação assimétrica.
Produto marginal
Variação do produto total decorrente de uma unidade adicional de um insumo, mantidos os demais constantes: \(\mathrm{PMg}_L = \partial f(K, L)/\partial L\).
Progresso técnico
Deslocamento da função de produção que permite obter mais produto com os mesmos insumos. Pode ser neutro (Hicks), poupador de trabalho ou poupador de capital.
Prêmio de risco
Quantia máxima que um agente avesso ao risco está disposto a pagar para eliminar a incerteza. Diferença entre o valor esperado e o equivalente de certeza.
Prova de renegociação (renegotiation-proofness)
Critério de refinamento em jogos repetidos que exige que a estratégia de punição não seja Pareto-dominada por um retorno à cooperação — punições que ambos os jogadores prefeririam abandonar não são críveis e, portanto, são eliminadas. Cap. 9b.

Q

QALY (Quality-Adjusted Life Year)
Ano de vida ajustado pela qualidade. Métrica que pondera cada ano de vida por um peso de qualidade \(q_t \in [0, 1]\), onde 1 representa saúde perfeita e 0 representa morte. Calculado como \(QALY = \sum_t q_t / (1+r)^t\). Usado em avaliações de custo-efetividade de tecnologias em saúde. Cap. 23.
Quasi-concavidade
Propriedade de uma função cujos conjuntos de nível superior \(\{x : f(x) \geq c\}\) são convexos para todo \(c\). Garante que curvas de indiferença e isoquantas sejam convexas.

R

Receita marginal (RMg)
Acréscimo na receita total decorrente da venda de uma unidade adicional: \(RMg = \frac{dR}{dq} = p\left(1 + \frac{1}{\varepsilon}\right)\). Para a firma tomadora de preços, \(RMg = p\); para o monopolista, \(RMg < p\).
Recurso comum
Bem rival mas não-excludente, sujeito a sobre-exploração (tragédia dos comuns). Exemplos: bancos de pesca, pastagens comunais, aquíferos.
Regras de Marshall (demanda derivada)
Quatro condições que determinam a elasticidade da demanda por um fator de produção: (i) facilidade de substituição entre fatores, (ii) elasticidade-preço da demanda pelo produto, (iii) participação do fator no custo total e (iv) elasticidade da oferta dos demais fatores. Cap. 17.
Regressão descontínua (RDD)
Método quase-experimental que explora uma regra de atribuição ao tratamento baseada em um limiar de uma variável contínua (\(X_i\)). O efeito causal é estimado pela descontinuidade nos resultados no ponto de corte: \(\tau_{RDD} = \lim_{x \downarrow c} E[Y|X=x] - \lim_{x \uparrow c} E[Y|X=x]\). Cap. 22.
Regra de Hartwick
Regra de sustentabilidade que prescreve investir toda a renda de escassez extraída de recursos não-renováveis em capital produzido: \(I_K(t) = p_n(t) \cdot h(t)\). Se obedecida, o consumo per capita pode ser mantido constante ao longo do tempo (sustentabilidade fraca). Cap. 24.
Regra de Hotelling (recursos naturais)
Em equilíbrio, o preço de um recurso exaurível deve crescer a uma taxa igual à taxa de juros: \(\dot{p}/p = r\). Cap. 24.
Renda da terra
Remuneração do fator terra, determinada integralmente pela demanda quando a oferta é perfeitamente inelástica (fixa). Conceito central na teoria ricardiana da distribuição. Cap. 17.
Renda econômica
Excedente recebido por um fator de produção acima da remuneração mínima necessária para mantê-lo em seu uso atual: \(w - w_0\). Quando a oferta do fator é perfeitamente inelástica, toda a remuneração é renda econômica. Cap. 17.
Renda plena (full income)
Renda máxima que o indivíduo obteria se trabalhasse todas as horas disponíveis: \(M^* = wT + V\), onde \(w\) é o salário, \(T\) a dotação total de tempo e \(V\) a renda não salarial.
Renda ricardiana
Pagamento a um fator de produção acima do mínimo necessário para mantê-lo em seu uso corrente (renda econômica). No longo prazo competitivo, o excedente do produtor da indústria reflete exclusivamente essas rendas, cuja magnitude depende do grau de heterogeneidade dos fatores.
Rendimento máximo sustentável (RMS)
Maior taxa de extração de um recurso renovável que pode ser mantida indefinidamente, correspondente ao ponto máximo da função de crescimento natural: \(h^{RMS} = \max_S G(S)\). Extrações acima do RMS levam à depleção progressiva do estoque. Cap. 24.
Rendimentos de escala
Propriedade da função de produção que descreve como o produto varia quando todos os insumos são multiplicados por um mesmo fator \(t > 1\). Constantes se \(f(tK, tL) = tf(K,L)\); crescentes se \(> t\); decrescentes se \(< t\). Não confundir com rendimentos marginais decrescentes (variação de um só insumo com os demais fixos).
Restrição orçamentária
Conjunto de cestas de bens que o consumidor pode adquirir dada sua renda: \(p_1 x_1 + p_2 x_2 \leq I\).
Revolução da credibilidade
Movimento na economia empírica, a partir dos anos 1990, que enfatiza a identificação causal rigorosa via experimentos aleatorizados, variáveis instrumentais, diferenças em diferenças e regressão descontínua, em contraste com abordagens puramente estruturais (Angrist e Pischke, 2010). Cap. 22.
Risco moral (moral hazard)
Problema de informação assimétrica em que uma parte (agente) pode tomar ações ocultas que afetam o resultado, após a celebração do contrato.
Risco moral ex ante e ex post (saúde)
No contexto de seguros de saúde, o risco moral ex ante refere-se à redução do esforço preventivo pelo segurado (menos exercício, dieta pior); o ex post refere-se ao aumento do consumo de serviços médicos após o sinistro, dada a redução do preço efetivo pela cobertura. Cap. 23.

S

Sustentabilidade fraca e forte
Na sustentabilidade fraca, capital natural e capital produzido são substituíveis — basta manter o estoque total de capital (critério: poupança genuína \(S^* \geq 0\)). Na sustentabilidade forte, certos ativos naturais são insubstituíveis ("capital natural crítico") e devem ser preservados independentemente da acumulação de capital produzido. Cap. 24.
Salário de reserva
Salário mínimo a partir do qual o indivíduo passa a ofertar horas positivas de trabalho. Para salários abaixo do salário de reserva, o indivíduo prefere dedicar todo o tempo ao lazer. Formalmente, \(w_R\) é tal que \(h^*(w_R) = 0\).
Screening (triagem)
Mecanismo pelo qual a parte desinformada oferece um menu de contratos para induzir a autorrevelação dos tipos pela parte informada. Exemplo: franquias em seguros.
Segundo Teorema do Bem-Estar
Qualquer alocação eficiente de Pareto pode ser sustentada como equilíbrio competitivo, mediante uma redistribuição adequada das dotações iniciais.
Seleção adversa (adverse selection)
Problema de informação assimétrica que surge quando uma parte possui informação privada sobre suas características (tipo) antes da celebração do contrato.
Sinalização (signaling)
Ação custosa tomada pela parte informada para revelar seu tipo à parte desinformada. Exemplo clássico: educação como sinal de produtividade (Spence, 1973).
Substitutos (bens)
Bens para os quais o aumento do preço de um eleva a demanda pelo outro. Em termos brutos: \(\partial x_i / \partial p_j > 0\).

T

Tarifa em duas partes (two-part tariff)
Esquema de precificação que combina uma taxa fixa de entrada (\(T\)) com um preço por unidade consumida (\(p\)). O gasto total do consumidor é \(G = T + p \cdot q\). A taxa fixa extrai excedente inframarginal; o preço unitário governa a quantidade e a eficiência alocativa. Amplamente utilizada em telecomunicações, academias e parques de diversões.
Taxa marginal de substituição (TMS)
Taxa à qual o consumidor está disposto a trocar um bem pelo outro mantendo a utilidade constante: \(TMS = -\frac{dx_2}{dx_1}\bigg|_{U=\bar{U}} = \frac{UMg_1}{UMg_2}\).
Taxa marginal de substituição técnica (TMST)
Taxa à qual a firma pode substituir um insumo por outro mantendo o produto constante: \(TMST = -\frac{dK}{dL}\bigg|_{q=\bar{q}} = \frac{PMg_L}{PMg_K}\).
Teorema de Coase
Na ausência de custos de transação e com direitos de propriedade bem definidos, a negociação privada leva a uma alocação eficiente independentemente da atribuição inicial dos direitos.
Teorema do eleitor mediano
Sob votação majoritária com preferências unimodais, o resultado é a alternativa preferida pelo eleitor mediano.
Teorema do envelope
O efeito de uma mudança em um parâmetro sobre o valor ótimo de uma função pode ser avaliado considerando apenas o efeito direto, mantendo as variáveis de escolha constantes.
Teoria do Prospecto
Teoria descritiva de decisão sob risco (Kahneman e Tversky, 1979) que substitui a utilidade esperada por uma função valor definida sobre ganhos e perdas relativos a um ponto de referência, com ponderação não-linear de probabilidades.
Teoria dos jogos
Ramo da matemática e da economia que estuda a interação estratégica entre agentes racionais.
Tipping (tombamento)
Dinâmica de mercados com efeitos de rede em que, após ultrapassar a massa crítica, uma plataforma ou padrão tecnológico atrai rapidamente a maioria dos participantes, levando ao resultado winner-take-all (ou winner-take-most). O processo é auto-reforçante e gera dependência de trajetória. Cap. 21.
Tragédia dos comuns
Situação em que o acesso livre a um recurso rival (recurso comum) leva à sua sobre-exploração: cada usuário iguala o produto médio ao custo privado, enquanto o ótimo social requer igualar o produto marginal ao custo. Formalizada por Garrett Hardin (1968) e qualificada por Elinor Ostrom (1990), que demonstrou que a governança comunitária pode ser uma alternativa à privatização ou à regulação estatal.

U

Utilidade esperada
Representação de preferências sobre loterias dada por \(E[u] = \sum_s \pi_s u(W_s)\), onde \(\pi_s\) é a probabilidade do estado \(s\) e \(u\) é a função de utilidade de Von Neumann-Morgenstern.
Utilidade marginal (UMg)
Acréscimo na utilidade decorrente do consumo de uma unidade adicional de um bem: \(UMg_i = \partial U / \partial x_i\).

V

Variação compensatória (VC)
Quantia de renda que deve ser retirada do consumidor após uma queda de preço (ou dada após um aumento) para que ele retorne ao nível de utilidade original.
Variação equivalente (VE)
Quantia de renda que, se recebida (ou retirada) antes de uma mudança de preço, deixaria o consumidor no mesmo nível de utilidade que ele atingiria após a mudança.
Valor econômico total (VET)
Soma de todos os valores associados a um recurso ambiental: valor de uso direto (consumo, recreação), valor de uso indireto (regulação climática, polinização), valor de opção (preservação de uso futuro) e valor de não-uso (existência, legado). Formalmente, \(VET = VU + VNU\). Serve de base para métodos de valoração ambiental (hedônicos, custo de viagem, contingente). Cap. 24.
Valor estatístico de uma vida (VSL)
Disposição a pagar agregada de uma população para reduzir marginalmente o risco de morte, calculada como \(VSL = \Delta WTP / \Delta p\), onde \(\Delta p\) é a redução na probabilidade de morte. Usado em análises de custo-benefício de políticas de saúde, segurança e meio ambiente. Cap. 23.
Valor presente líquido (VPL)
Soma dos fluxos de caixa futuros descontados à taxa apropriada, menos o investimento inicial: \(VPL = \sum_{t=0}^{T} \frac{FC_t}{(1+r)^t}\).
Variáveis instrumentais (IV)
Método econométrico para lidar com endogeneidade, utilizando uma variável \(Z\) que é correlacionada com o regressor endógeno mas não com o termo de erro. O estimador IV identifica o efeito causal local (LATE) para os indivíduos cuja participação no tratamento é afetada pelo instrumento. Cap. 22.
Vazamento de carbono (carbon leakage)
Deslocamento de emissões de países com regulação ambiental restritiva para países com regulação mais branda, reduzindo a eficácia da política climática unilateral. Justifica mecanismos como o CBAM (Carbon Border Adjustment Mechanism) da União Europeia. Cap. 24.