Exercícios e ANPEC
Revisão rápida¶
1. A principal vantagem de instrumentos de mercado (imposto/cap-and-trade) sobre regulação de comando e controle é:
- (a) Instrumentos de mercado eliminam completamente a poluição
- (b) Instrumentos de mercado atingem a meta de redução ao menor custo total, igualando custos marginais de abatimento entre firmas
- (c) Instrumentos de mercado não requerem monitoramento das emissões
- (d) Instrumentos de mercado são mais fáceis de implementar politicamente
Resposta
(b) A eficiência de custos é a vantagem central: ao criar um preço uniforme para as emissões, instrumentos de mercado permitem que firmas com custos de abatimento mais baixos façam mais redução — minimizando o custo total para a sociedade. A alternativa (a) é falsa — ambos reduzem, não eliminam; (c) é falsa — ambos requerem monitoramento; (d) é discutível e não é a principal vantagem teórica.
2. Segundo Weitzman (1974), o regulador deve preferir instrumentos de quantidade (cap) a instrumentos de preço (imposto) quando:
- (a) Os custos de abatimento das firmas são desconhecidos
- (b) A curva de dano marginal é relativamente plana
- (c) A curva de dano marginal é muito inclinada (existem limiares catastróficos)
- (d) As firmas são homogêneas
Resposta
(c) Quando a curva de dano marginal é muito inclinada (grande variação no dano para pequenas variações na quantidade de emissões), errar na quantidade é muito custoso — portanto é preferível fixar a quantidade (cap) e aceitar volatilidade no preço. A alternativa (b) é o caso em que o imposto (preço) é preferível.
3. O custo social do carbono (SCC) é:
- (a) O custo de produção de uma tonelada de CO₂
- (b) O preço de mercado do CO₂ no EU ETS
- (c) O valor presente dos danos futuros causados pela emissão de uma tonelada adicional de CO₂
- (d) O custo de capturar e armazenar uma tonelada de CO₂
Resposta
(c) O SCC é o dano total (presente e futuro, global) de uma tonelada adicional de emissão, descontado a valor presente. Equivale ao imposto pigouviano ótimo sobre carbono. A alternativa (b) é o preço de mercado, que pode ou não se aproximar do SCC; (d) é o custo de abatimento via CCS, que é diferente do custo do dano.
4. A regra de Hartwick estabelece que uma economia dependente de recursos exauríveis pode manter o consumo constante se:
- (a) Reduzir a taxa de extração a zero
- (b) Investir toda a renda de escassez (royalties) dos recursos naturais em capital reprodutível
- (c) Substituir recursos não renováveis por renováveis
- (d) Manter o estoque de recursos naturais constante
Resposta
(b) A regra de Hartwick requer que o desinvestimento em capital natural (extração) seja compensado por investimento equivalente em capital produzido (máquinas, infraestrutura, capital humano) — é o critério de sustentabilidade fraca. A alternativa (d) é impossível para recursos não renováveis; (a) eliminaria a renda do recurso.
5. O CBAM (Carbon Border Adjustment Mechanism) da UE visa resolver o problema de:
- (a) Reduzir emissões de transporte internacional
- (b) Vazamento de carbono — a relocação de produção para países sem precificação de carbono
- (c) Financiar projetos de adaptação climática em países em desenvolvimento
- (d) Substituir o EU ETS por tarifas de importação
Resposta
(b) O CBAM é uma tarifa ambiental que iguala o preço de carbono enfrentado por produtores domésticos (sujeitos ao EU ETS) e importadores de países sem precificação de carbono. Sem o CBAM, o preço de carbono europeu poderia simplesmente deslocar a produção para países com regulação mais branda, sem reduzir emissões globais. A alternativa (d) é falsa — o CBAM complementa, não substitui, o EU ETS.
Resumo do Capítulo¶
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Instrumentos de mercado (impostos pigouvianos e cap-and-trade) são mais eficientes que regulação de comando e controle porque igualam custos marginais de abatimento entre firmas, atingindo a meta ambiental ao menor custo total. Ambos geram eficiência de custos, mas diferem no que é fixo (preço vs. quantidade) e no que é incerto.
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Weitzman (1974) demonstrou que a equivalência entre imposto e cap-and-trade se rompe sob incerteza. Se a curva de dano marginal é mais inclinada que a de custo de abatimento, instrumentos de quantidade (cap) são preferíveis — argumento particularmente relevante para mudanças climáticas, onde limiares catastróficos tornam o controle de quantidade prioritário.
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O custo social do carbono (SCC) é o dano total causado por uma tonelada adicional de CO₂ e equivale ao imposto pigouviano ótimo. Estimativas variam enormemente (US$ 20 a US$ 200+/tCO₂) dependendo da taxa de desconto — o parâmetro mais influente e mais controverso da economia climática.
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O debate Nordhaus–Stern reflete uma divergência ética fundamental sobre a taxa de desconto: Nordhaus (abordagem descritiva, r ≈ 5,5%) recomenda ação gradual; Stern (abordagem prescritiva, r ≈ 1,4%) recomenda ação imediata e agressiva. A escolha entre ambos é, em última análise, uma questão de valores morais sobre obrigações com gerações futuras.
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Mercados de carbono (EU ETS, RGGI, RenovaBio) implementam o princípio do cap-and-trade na prática, com lições importantes: o cap precisa ser restritivo, a volatilidade de preço requer mecanismos de estabilização (MSR, price collar), e a alocação inicial de permissões tem implicações distributivas significativas.
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Valoração ambiental decompõe o valor econômico total em uso direto, uso indireto, opção, existência e legado. Métodos de preferência revelada (preços hedônicos, custo de viagem) e declarada (valoração contingente, choice experiments) permitem estimar esses valores — essenciais para análise de custo-benefício ambiental.
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A regra de Hotelling governa a extração ótima de recursos exauríveis; a regra de Hartwick garante sustentabilidade fraca se a renda de escassez é reinvestida; a poupança genuína é a métrica que ajusta o PIB pela depleção de capital natural e investimento em capital humano.
Conceitos-chave¶
| Conceito | Definição |
|---|---|
| Instrumento de mercado | Política ambiental que altera incentivos econômicos (imposto, cap-and-trade), permitindo que o mercado encontre a alocação de menor custo |
| Comando e controle | Regulação direta que impõe padrões, limites ou tecnologias específicas a cada firma |
| Eficiência de custos | Propriedade de atingir uma meta ambiental ao menor custo total, igualando custos marginais de abatimento entre firmas |
| Cap-and-trade | Sistema que fixa a quantidade total de emissões (cap) e permite negociação de permissões entre firmas (trade) |
| Custo social do carbono (SCC) | Valor presente dos danos futuros causados pela emissão de uma tonelada adicional de CO₂ |
| Duplo dividendo | Ganho duplo da tributação ambiental: redução de poluição + redução de outros impostos distorcivos |
| Vazamento de carbono | Relocação de emissões para jurisdições sem precificação de carbono, anulando o efeito da política climática |
| CBAM | Mecanismo de ajuste de carbono na fronteira — tarifa ambiental sobre importações intensivas em carbono |
| Valor econômico total (VET) | Soma dos valores de uso (direto, indireto, opção) e não-uso (existência, legado) de um recurso ambiental |
| Preços hedônicos | Método que infere o valor de atributos ambientais a partir de diferenças de preço em mercados de bens diferenciados (ex.: imóveis) |
| Valoração contingente | Método de pesquisa que estima a disposição a pagar por bens ambientais via cenários hipotéticos |
| Regra de Hotelling | O preço líquido de um recurso exaurível cresce à taxa de juros no equilíbrio |
| Regra de Hartwick | Investir toda a renda de escassez em capital reprodutível garante consumo constante (sustentabilidade fraca) |
| Poupança genuína | Poupança nacional ajustada pela depleção de recursos naturais e investimento em capital humano |
Tabela 24.1 — Conceitos-chave.
Exercícios¶
Exercício 24.1. Duas fábricas emitem cada uma 80 toneladas de SO₂ por ano. O custo marginal de abatimento é \(\text{CMgA}_A = 3e_A\) para a Fábrica A e \(\text{CMgA}_B = 6e_B\) para a Fábrica B, onde \(e_i\) é a redução de emissões (toneladas).
(a) Se o regulador impõe redução uniforme de 40 toneladas para cada fábrica (comando e controle), calcule o custo total de abatimento. (b) Encontre a alocação eficiente (que minimiza o custo total) para uma redução total de 80 toneladas. Qual é o custo total? (c) Qual imposto pigouviano \(t\) (por tonelada) induziria a alocação eficiente? (d) Se um sistema cap-and-trade é implementado com 80 permissões (cada fábrica recebe 40 inicialmente), qual será o preço de equilíbrio da permissão? Quem vende e quem compra?
Exercício 24.2. (Exercício resolvido) O custo social do carbono e a taxa de desconto.
Suponha que a emissão de 1 tCO₂ hoje cause danos de US$ 10/ano perpetuamente, começando em \(t = 1\).
(a) Calcule o SCC para taxas de desconto de \(r = 1\%\), \(r = 3\%\) e \(r = 5\%\). (b) Mostre que a razão entre os SCCs calculados em (a) depende apenas da razão entre as taxas de desconto. (c) Se o governo dos EUA usa \(r = 3\%\) e estima SCC = US$ 51/tCO₂, qual seria a estimativa com \(r = 1,4\%\) (taxa de Stern)?
Solução
(a) O SCC é o valor presente de uma perpetuidade de US$ 10/ano:
- \(r = 1\%\): \(\text{SCC} = 10/0{,}01 = \text{US\$} \; 1.000\)
- \(r = 3\%\): \(\text{SCC} = 10/0{,}03 \approx \text{US\$} \; 333\)
- \(r = 5\%\): \(\text{SCC} = 10/0{,}05 = \text{US\$} \; 200\)
A diferença é dramática: o SCC com \(r = 1\%\) é 5 vezes maior que com \(r = 5\%\).
(b) A razão entre SCCs:
Depende apenas da razão entre as taxas, não do dano \(D\). Isso demonstra a extrema sensibilidade do SCC à taxa de desconto.
(c) Usando a proporcionalidade:
A taxa de Stern mais que duplica o SCC estimado — e com ela, o imposto ótimo sobre carbono.
Exercício 24.3. (Exercício resolvido) Weitzman: preços vs. quantidades.
Um regulador quer reduzir emissões de um poluente. O benefício marginal da redução é \(BMg = 100 - 2e\) e o custo marginal de abatimento é \(CMgA = 20 + e + \varepsilon\), onde \(\varepsilon\) é um choque aleatório com \(E[\varepsilon] = 0\) e \(\text{Var}(\varepsilon) = \sigma^2\).
(a) Calcule o nível ótimo de abatimento esperado \(e^*\) e o imposto/preço da permissão ótimos \(t^*\). (b) Se o regulador fixa o imposto em \(t^*\), qual é a perda esperada de bem-estar em relação ao ótimo (que depende da realização de \(\varepsilon\))? (c) Se o regulador fixa a quantidade em \(e^*\), qual é a perda esperada de bem-estar? (d) Quando o imposto é preferível ao cap? Interprete em termos das inclinações de BMg e CMgA.
Solução
(a) No ótimo esperado (\(\varepsilon = 0\)): \(BMg = CMgA\)
(b) Com imposto fixo \(t^*\), a firma escolhe \(e\) tal que \(CMgA = t^*\):
O abatimento desvia de \(e^*\) por \(-\varepsilon\). A perda de bem-estar (triângulo de Harberger) é:
Simplificando com \(|BMg'| = 2\) e \(|CMgA'| = 1\):
(c) Com quantidade fixa \(e^*\), o custo marginal realizado difere do benefício marginal. A perda:
Usando a fórmula de Weitzman:
(d) O imposto gera perda esperada maior que o cap (\(L_P > L_Q\)) porque \(|BMg'| = 2 > |CMgA'| = 1\) — a curva de benefício marginal é mais inclinada. Neste caso, o cap é preferível (equação \(\eqref{eq:24.5}\)). O imposto seria preferível se a curva de custo de abatimento fosse mais inclinada que a de benefício marginal.
Exercício 24.4. (Exercício resolvido) Regra de Hotelling.
Um depósito contém \(S_0 = 100\) unidades de um recurso não renovável. O custo de extração é zero. A demanda inversa é \(p(q) = 200 - 2q\). A taxa de juros é \(r = 10\%\). A extração ocorre em dois períodos.
(a) Escreva a condição de Hotelling para o preço líquido entre os dois períodos. (b) Use a condição de Hotelling e a restrição de estoque (\(q_1 + q_2 = 100\)) para encontrar \(q_1, q_2, p_1, p_2\). (c) Se a taxa de juros sobe para \(r = 20\%\), o que acontece com a extração no período 1? Interprete.
Solução
(a) Com custo de extração zero, o preço líquido é o próprio preço. A regra de Hotelling:
(b) Da demanda inversa: \(p_1 = 200 - 2q_1\) e \(p_2 = 200 - 2q_2\).
Do estoque: \(q_2 = 100 - q_1\).
Da condição de Hotelling:
Verificação: \(104{,}8 / 95{,}2 = 1{,}10\). ✓
(c) Com \(r = 20\%\): \(200 - 2(100 - q_1) = 1{,}2 \cdot (200 - 2q_1)\)
A extração no período 1 aumenta (de 52,4 para 54,5). Intuição: com taxa de juros maior, o custo de oportunidade de deixar o recurso no solo é maior — é mais atraente extrair hoje e investir a receita. A regra de Hotelling implica que juros altos favorecem extração presente e elevam o preço futuro mais rapidamente.
Exercício 24.5. Em um estudo de valoração contingente, 500 moradores de Curitiba foram perguntados: "Qual a máxima quantia mensal que você pagaria para manter o Parque Barigui?" Os resultados foram:
| DAP (R$/mês) | Frequência |
|---|---|
| 0 | 50 |
| 5 | 120 |
| 10 | 180 |
| 20 | 100 |
| 50 | 40 |
| 100 | 10 |
(a) Calcule a DAP média e a DAP mediana. (b) Estime o valor anual do parque para a população de Curitiba (2 milhões de habitantes), usando a DAP média. (c) Discuta por que a DAP mediana pode ser uma estimativa mais confiável que a média neste contexto. (d) Identifique dois vieses potenciais nesta pesquisa e sugira como mitigá-los.
Exercício 24.6. Considere um recurso pesqueiro com crescimento logístico \(G(S) = rS(1 - S/K)\), onde \(r = 0{,}5\) (taxa intrínseca de crescimento), \(K = 1.000\) (capacidade de suporte) e \(S\) é o estoque de peixes em toneladas.
(a) Encontre o estoque que maximiza o crescimento (rendimento máximo sustentável — RMS) e calcule o RMS. (b) Se o custo de pescar uma tonelada é \(c = 50/S\) (custo unitário decrescente no estoque) e o preço do peixe é \(p = 1\), encontre o estoque de equilíbrio de acesso livre (onde lucro econômico = 0). (c) Compare o estoque de acesso livre com o estoque do RMS. Há sobreexploração? (d) Que quota de captura restabeleceria o equilíbrio sustentável no nível do RMS?
Exercício 24.7. Uma economia produz PIB = 1.000, com poupança bruta = 200, depreciação do capital produzido = 80, depleção de recursos minerais = 30, dano por CO₂ = 15, e investimento em educação = 25.
(a) Calcule a poupança genuína (poupança líquida ajustada). (b) A economia está em trajetória sustentável (no sentido de sustentabilidade fraca)? Justifique. (c) Se o preço do mineral extraído dobra (mantendo a quantidade), o que acontece com a poupança genuína? Interprete.
Exercício 24.8. O EU ETS distribui 100 permissões de emissão. A demanda agregada por permissões é \(Q_d = 150 - 2p\) (em toneladas).
(a) Encontre o preço de equilíbrio da permissão e a receita total se as permissões são leiloadas. (b) Se o regulador introduz um preço mínimo (price floor) de €30, qual é o efeito sobre o mercado? Há excesso de oferta? (c) Se a recessão reduz a demanda para \(Q_d' = 120 - 2p\), qual é o novo preço de equilíbrio? Compare com o item (a). (d) Explique por que a Reserva de Estabilidade de Mercado (MSR) é uma resposta ao problema ilustrado em (c).
Exercício 24.9. Um estudo de preços hedônicos em São Paulo estimou a seguinte regressão:
onde \(P_i\) é o preço do imóvel (em R$), PM\(_{2,5}\) é a concentração média de material particulado (μg/m³) e Parque é uma dummy para imóvel a até 500m de um parque.
(a) Interprete o coeficiente de PM\(_{2,5}\). Uma redução de 10 μg/m³ na poluição aumenta o preço do imóvel em quanto (aproximadamente)? (b) Interprete o coeficiente de Parque. Qual é o prêmio percentual por proximidade ao parque? (c) Se o preço médio de um imóvel no bairro é R$ 500.000, qual é o valor implícito (em R$) da proximidade ao parque? (d) Discuta uma limitação do método de preços hedônicos para estimar o valor total da qualidade ambiental.
Exercício 24.10. O modelo DICE simplificado: considere uma economia em dois períodos. No período 1, a produção é \(Y_1 = 100\) e as emissões são proporcionais à produção: \(E_1 = \sigma Y_1(1 - \mu_1)\), onde \(\sigma = 0{,}5\) é a intensidade de carbono e \(\mu_1 \in [0, 1]\) é a taxa de abatimento. O custo de abatimento é \(\Theta(\mu) = \theta_1 \mu^2 Y\), com \(\theta_1 = 0{,}1\). No período 2, o dano climático é \(D_2 = \delta E_1^2\), com \(\delta = 0{,}01\).
(a) Escreva o bem-estar social \(W = (Y_1 - \Theta_1) + \frac{Y_2 - D_2}{1+r}\), supondo \(Y_2 = 100\) e \(r = 5\%\). (b) Encontre a taxa de abatimento ótima \(\mu_1^*\) que maximiza \(W\). (c) Calcule o SCC implícito (custo marginal do dano por tonelada de CO₂ no ótimo). (d) Se a taxa de desconto cai para \(r = 1\%\), como muda \(\mu_1^*\)? Interprete.
Questões estilo ANPEC¶
Questão ANPEC 24.1 — Instrumentos de Política Ambiental
Com relação aos instrumentos de política ambiental e à economia das mudanças climáticas, julgue os itens:
(0) Em um sistema cap-and-trade, a alocação final de emissões entre firmas é eficiente independentemente da distribuição inicial de permissões — desde que os custos de transação sejam baixos e o mercado de permissões funcione competitivamente.
(1) O resultado de Weitzman (1974) mostra que, sob incerteza sobre os custos de abatimento, o imposto pigouviano é sempre preferível ao cap-and-trade, pois oferece certeza de custo para as firmas.
(2) O custo social do carbono (SCC) é extremamente sensível à taxa de desconto: uma redução da taxa de 5% para 1,4% pode mais que triplicar o valor estimado do SCC.
(3) O duplo dividendo da tributação ambiental refere-se ao fato de que impostos ambientais geram simultaneamente redução da poluição e receita fiscal que pode substituir impostos distorcivos — gerando potencialmente ganhos de eficiência adicionais.
(4) A regra de Hotelling prevê que o preço de mercado de recursos não renováveis cresce à taxa de juros, o que implica que recursos mais escassos sempre têm preços mais altos.
Gabarito
Respostas: V-F-V-V-F
- Item 0 — V: Resultado análogo ao Teorema de Coase aplicado ao mercado de permissões. A distribuição inicial afeta a renda das firmas, mas não a alocação final de emissões.
- Item 1 — F: Weitzman mostrou que a preferência depende das inclinações relativas das curvas de dano e custo. Não há superioridade universal de nenhum instrumento.
- Item 2 — V: Para uma perpetuidade de danos, \(\text{SCC} = D/r\). A razão \(5\%/1{,}4\% = 3{,}57\), logo o SCC com taxa de Stern seria ~3,6 vezes o de Nordhaus.
- Item 3 — V: O primeiro dividendo é ambiental; o segundo é fiscal.
- Item 4 — F: A regra de Hotelling diz que o preço líquido (preço menos custo de extração) cresce à taxa de juros, não o preço de mercado.
Questão ANPEC 24.2 — Valoração Ambiental e Recursos Naturais
Sobre valoração ambiental, recursos naturais e sustentabilidade, julgue os itens:
(0) O valor econômico total de um recurso ambiental inclui apenas os valores de uso direto e indireto — os chamados "valores de não-uso" (existência e legado) não são reconhecidos pela teoria econômica por serem subjetivos.
(1) O método de preços hedônicos estima o valor de atributos ambientais a partir de diferenças de preço em mercados de bens diferenciados, como imóveis — sendo uma aplicação de preferência revelada.
(2) A regra de Hartwick estabelece que uma economia dependente de recursos exauríveis pode manter o consumo per capita constante se investir toda a renda de escassez dos recursos naturais em capital reprodutível.
(3) A poupança genuína (poupança líquida ajustada) de uma economia pode ser negativa mesmo quando o PIB está crescendo — indicando que o crescimento é insustentável no sentido fraco.
(4) Em um recurso pesqueiro de acesso livre, o equilíbrio de livre entrada dissipa toda a renda econômica do recurso, resultando em estoque de peixes acima do nível que maximiza o rendimento sustentável.
Gabarito
Respostas: F-V-V-V-F
- Item 0 — F: A teoria econômica reconhece explicitamente valores de não-uso como componentes legítimos do VET.
- Item 1 — V: Preços hedônicos observam como preços variam com atributos ambientais — lógica de preferência revelada.
- Item 2 — V: A regra de Hartwick: \(I_K = p_n \cdot h\).
- Item 3 — V: Poupança genuína pode ser negativa com PIB crescente se a depleção de recursos superar a poupança.
- Item 4 — F: O acesso livre resulta em estoque abaixo (não acima) do nível do RMS — sobreexploração.