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Pesquisa em Ação — Capítulo 19

🔬 Pesquisa em Ação

Chiappori, P.-A.; Salanié, B. (2000). Testing for Asymmetric Information in Insurance Markets. Journal of Political Economy, 108(1), 56–78.

DOI: 10.1086/317671

Contexto. A assimetria de informação é realmente importante nos mercados de seguros? Se seleção adversa ou risco moral estiverem presentes, devemos observar uma correlação positiva entre a cobertura escolhida e a ocorrência de sinistros.

Método. Usando dados de seguros de automóveis na França (jovens motoristas), os autores testaram se, após controlar por todas as variáveis observáveis, a correlação cobertura-sinistro é positiva.

Resultado. Surpreendentemente, não encontraram correlação positiva significativa. Isso sugere que as seguradoras classificam os riscos eficientemente, e que a informação assimétrica residual pode ser pequena nesse mercado específico.

Conexão com o capítulo. O paper testa diretamente o modelo de Rothschild-Stiglitz (Seção 19.4.3). A ausência de correlação sugere que os mecanismos de triagem das seguradoras podem ser eficazes em resolver o problema informacional.

Matoso, R.; Rezende, M. (2014). Asymmetric Information in Oil and Gas Lease Auctions with a National Company. International Journal of Industrial Organization, 33, 72–82.

DOI: 10.1016/j.ijindorg.2014.02.006

Contexto. A Petrobras possui vantagem informacional sobre concorrentes nos leilões da ANP? Se sim, como isso afeta os lances e resultados?

Método. Dados dos leilões de concessão da ANP, comparando o comportamento de lances da Petrobras versus concorrentes estrangeiros em diferentes tipos de blocos.

Resultado. A Petrobras apresentou comportamento consistente com vantagem informacional: participou mais em blocos lucrativos, ofertou lances maiores para blocos de maior valor e competiu mais agressivamente por blocos re-ofertados.

Conexão com o capítulo. Aplicação empírica direta da teoria de leilões com informação assimétrica (Seção 19.7), mostrando que a equivalência de receita falha quando licitantes são assimétricos.

Einav, L.; Finkelstein, A.; Cullen, M. R. (2010). Estimating Welfare in Insurance Markets Using Variation in Prices. Quarterly Journal of Economics, 125(3), 877–921.

DOI: 10.1162/qjec.2010.125.3.877

Contexto. Qual é o custo de bem-estar da seleção adversa em mercados de seguros reais? E como ele se compara ao custo do risco moral? A maioria dos testes empíricos (como Chiappori-Salanié) identifica a presença de informação assimétrica, mas não quantifica seus custos de bem-estar.

Método. Os autores exploram variação nos preços de seguros de saúde enfrentados por funcionários de uma grande empresa americana (Alcoa) para estimar separadamente as curvas de demanda e custo marginal no mercado de seguros. A variação de preços decorre de diferenças contratuais entre estabelecimentos, permitindo identificação quase-experimental.

Resultado. A seleção adversa gera perda de bem-estar equivalente a cerca de US$ 9,55 por segurado por mês — significativa, mas menor do que as estimativas baseadas em modelos calibrados. O resultado sugere que a seleção adversa é empiricamente relevante, mas seu custo pode ser moderado em mercados com boa classificação de risco.

Conexão com o capítulo. O paper quantifica o custo de bem-estar da seleção adversa (Seção 19.4), conectando a teoria à mensuração empírica. A metodologia — estimar curvas de demanda e custo para calcular DWL — é análoga à análise de bem-estar do Capítulo 15, aplicada ao contexto de informação assimétrica.

Tyler, J. H.; Murnane, R. J.; Willett, J. B. (2000). Estimating the Labor Market Signaling Value of the GED. Quarterly Journal of Economics, 115(2), 431–468.

DOI: 10.1162/003355300554926

Contexto. O modelo de Spence (Seção 19.5) prevê que a educação pode funcionar como sinal de produtividade. Mas como separar empiricamente o componente de sinalização do componente de capital humano (produtividade real)? Tyler, Murnane e Willett exploram uma variação institucional engenhosa para isolar o efeito puro de sinalização.

Método. O General Educational Development (GED) é um exame de equivalência ao ensino médio nos EUA. A nota de corte para aprovação varia entre estados: em alguns, basta acertar 40 questões; em outros, é preciso 45. Os autores comparam os rendimentos de indivíduos que obtiveram a mesma nota (por exemplo, 42) mas que, por viverem em estados com cortes diferentes, ficaram em lados opostos da aprovação. A nota reflete o mesmo nível de capital humano — a única diferença é ter ou não o "selo" do GED.

Resultado. Obter o GED — o puro sinal, sem ganho adicional de capital humano — aumenta os rendimentos em 10–19% para jovens brancos que abandonaram o ensino médio. O efeito é menor para minorias, sugerindo que a credibilidade do sinal varia entre grupos demográficos.

Conexão com o capítulo. Este é um dos testes empíricos mais limpos da teoria de sinalização de Spence. Ao isolar o efeito do "selo" (sinal) do efeito da competência (capital humano), os autores demonstram que a sinalização tem valor de mercado real e significativo — confirmando a previsão teórica da Seção 19.5.

Banerjee, A.; Duflo, E.; Glennerster, R.; Kinnan, C. (2015). The Miracle of Microfinance? Evidence from a Randomized Evaluation. American Economic Journal: Applied Economics, 7(1), 22–53.

DOI: 10.1257/app.20130533

Contexto. O microcrédito foi amplamente celebrado como solução para a pobreza em países em desenvolvimento — a ponto de Muhammad Yunus e o Grameen Bank receberem o Prêmio Nobel da Paz em 2006. A lógica é que a assimetria de informação nos mercados de crédito (seleção adversa sobre a qualidade do tomador e risco moral sobre o uso dos recursos) exclui os pobres do sistema financeiro formal. O microcrédito, com seus mecanismos de empréstimo em grupo (responsabilidade solidária) e monitoramento entre pares, mitigaria ambos os problemas.

Método. Os autores conduziram um experimento randomizado em Hyderabad, Índia: 104 bairros foram sorteados para receber agências de microcrédito, enquanto outros serviram de controle. Acompanharam 6.850 domicílios por 18 meses. A randomização permite isolar o efeito causal do acesso ao microcrédito, controlando para seleção adversa na adesão voluntária.

Resultado. O microcrédito aumentou o investimento em negócios e o consumo de bens duráveis, mas não teve efeito significativo sobre consumo total, saúde, educação ou empoderamento feminino. Crucialmente, os efeitos foram heterogêneos: famílias com negócios pré-existentes expandiram atividades, enquanto as demais não se beneficiaram. Não houve a "transformação" que os entusiastas prometiam.

Conexão com o capítulo. O paper ilustra como a assimetria de informação no mercado de crédito (Seção 19.4) afeta países em desenvolvimento e como mecanismos contratuais inovadores (empréstimo em grupo como triagem e monitoramento entre pares como mitigação de risco moral) tentam resolver os problemas informacionais. O resultado moderado sugere que resolver a assimetria de informação no crédito é necessário, mas não suficiente, para gerar desenvolvimento.


📚 Referências do Capítulo