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Pesquisa em Ação — Capítulo 16a

Pesquisa em Ação

Bresnahan, T. F.; Reiss, P. C. (1991). Entry and Competition in Concentrated Markets. Journal of Political Economy, 99(5), 977–1009.

DOI: 10.1086/261786

Pergunta central: Quantos concorrentes são necessários para que um mercado se comporte de forma competitiva?

Método: Os autores estudam mercados locais isolados nos Estados Unidos (pequenas cidades) para cinco tipos de negócios (dentistas, optometristas, farmácias, encanadores e pneus). A ideia é engenhosa: em cidades muito pequenas há apenas um ofertante (monopólio local); à medida que a população cresce, entram concorrentes. Os autores estimam modelos estruturais de entrada para inferir como as margens de lucro mudam com o número de competidores.

Resultado principal: A maior parte da transição de comportamento monopolístico para competitivo ocorre com a entrada do segundo e terceiro concorrente. Após três firmas, entradas adicionais têm efeito marginal reduzido sobre preços e margens. Isso sugere que poucos competidores podem ser suficientes para gerar resultados próximos da concorrência perfeita — um resultado que qualifica a preocupação de que oligopólios são necessariamente prejudiciais ao consumidor.

Relevância para o capítulo: O artigo fornece evidência empírica direta para a convergência do modelo de Cournot: a teoria prevê que o equilíbrio se aproxima do resultado competitivo conforme \(n\) cresce, e Bresnahan e Reiss mostram que essa convergência é rápida — essencialmente completa com 3 a 5 firmas. Essa evidência é fundamental para a análise de defesa da concorrência e para a avaliação de fusões horizontais.

Berry, S.; Levinsohn, J.; Pakes, A. (1995). Automobile Market Equilibrium and the Effects of Price Controls. Econometrica, 63(4), 841–890.

DOI: 10.2307/2171802

Pergunta central: Como modelar a demanda e o equilíbrio de preços em mercados oligopolísticos com produtos diferenciados, levando em conta a endogeneidade dos preços?

Método: Berry, Levinsohn e Pakes (BLP) desenvolvem um modelo estrutural de demanda por automóveis nos Estados Unidos, combinando dados de mercado agregados com um modelo de escolha discreta com heterogeneidade de consumidores. A inovação metodológica central é o uso de variáveis instrumentais para lidar com a endogeneidade dos preços e uma técnica de inversão (a "inversão de BLP") que permite recuperar as utilidades médias dos produtos a partir das participações de mercado observadas. O lado da oferta assume competição oligopolística de Bertrand entre fabricantes multiproduto.

Resultado principal: Os autores encontram que a elasticidade-preço da demanda por automóveis é substancialmente maior do que estimativas anteriores que ignoravam a endogeneidade. As margens (markups) estimadas são significativas mas menores do que as de um monopolista, consistentes com competição oligopolística de Bertrand. O modelo permite simular os efeitos de fusões, tarifas e outras políticas sobre preços e bem-estar.

Relevância para o capítulo: O artigo de BLP é possivelmente o trabalho empírico mais influente em organização industrial moderna. Ele operacionaliza o modelo de Bertrand com diferenciação de produto (Seção 16a.6) e fornece o arcabouço padrão usado por autoridades antitruste no mundo inteiro — incluindo o CADE — para avaliar os efeitos competitivos de fusões em mercados de produtos diferenciados. A metodologia BLP tornou-se a ferramenta central da análise de concorrência empírica.

Nevo, A. (2001). Measuring Market Power in the Ready-to-Eat Cereal Industry. Econometrica, 69(2), 307–342.

DOI: 10.1111/1468-0262.00194

Pergunta central: Qual é o grau de poder de mercado na indústria de cereais matinais dos EUA, e como diferentes modelos de concorrência (Bertrand-Nash, colusão, etc.) afetam a avaliação?

Método: Nevo estima um modelo estrutural de demanda por cereais usando o framework BLP, com dados de scanner de 65 cidades americanas. O lado da oferta permite testar diferentes hipóteses sobre a conduta das firmas: Bertrand-Nash, colusão perfeita e modelos intermediários. Os markups são identificados pela interação entre elasticidades estimadas e a estrutura de propriedade das marcas.

Resultado principal: Os markups estimados são significativos (40-50% sobre o custo marginal), mas consistentes com Bertrand-Nash entre firmas multiproduto — não é necessário invocar colusão para explicar os preços observados. A competição entre produtos da mesma firma é internalizada (a firma não canibaliza suas próprias marcas), elevando os preços relativamente ao caso de marcas independentes.

Relevância para o capítulo: O artigo é uma aplicação exemplar da teoria de Bertrand com diferenciação (Seção 16a.6) a dados reais. Ele mostra como a estrutura de propriedade de marcas (um fator ignorado no modelo básico) afeta o equilíbrio e como modelos de IO empírica podem ser usados para distinguir entre concorrência e colusão — questão central para autoridades antitruste como o CADE.


Referências do Capítulo